
O governo de Donald Trump anunciou um acordo nuclear com a Arábia Saudita nesta quarta-feira (22). O pacto, que visa cooperação civil, gera forte reação de políticos americanos e de Israel por temerem que a iniciativa desencadeie uma corrida por armas atômicas na região.
O que prevê o chamado Acordo 123?
Este acordo estabelece as regras para que empresas dos Estados Unidos tenham acesso ao mercado de energia nuclear na Arábia Saudita. O objetivo oficial é ajudar o país árabe a modernizar e diversificar sua economia, que hoje depende muito do petróleo, investindo em fontes de energia mais limpas sob padrões internacionais de segurança e não proliferação.
Por que Israel manifestou preocupação com esse pacto?
Líderes israelenses temem que o programa, mesmo anunciado como civil, possa ser um primeiro passo para a criação de armas nucleares sauditas. Políticos como Naftali Bennett descrevem o pacto como uma falha estratégica que coloca a segurança de Israel em risco, pois o domínio da tecnologia de enriquecimento de urânio em solo árabe poderia sair do controle.
Qual é a relação entre este acordo e o Irã?
Existe um grande receio de que o acordo estimule uma corrida armamentista. Em anos anteriores, autoridades sauditas afirmaram abertamente que desenvolveriam armas nucleares caso o Irã obtivesse as dele. Além disso, críticos acreditam que o pacto pode desestimular os iranianos a limitarem seu próprio programa nuclear, aumentando a tensão militar entre as potências regionais.
Existem condições impostas por Donald Trump para o projeto avançar?
Sim. O presidente Trump afirmou que o acordo só sairá do papel se a Arábia Saudita estabelecer relações diplomáticas oficiais com Israel. Além disso, o governo americano sustenta que o texto atual não prevê o enriquecimento de urânio diretamente pelo reino saudita, tentando acalmar os temores de que o material seja usado para fins militares.
Como especialistas avaliam os riscos geopolíticos desse anúncio?
Analistas explicam que dar capacidade nuclear a um país vizinho a zonas de guerra é perigoso. O enriquecimento de urânio em níveis baixos (até 5%) serve para energia, mas acima de 20% indica intenção militar. A Arábia Saudita busca a chamada ‘dissuasão’: ter poder tecnológico suficiente para desencorajar ataques de rivais, como os rebeldes houthis e o regime iraniano.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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