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Cafeína pode melhorar memória após noite mal dormida – 26/07/2026 – Equilíbrio

As consequências de uma noite mal dormida podem ser notáveis na performance cognitiva no dia seguinte. Em um estudo pré-clínico publicado recentemente na revista científica Neuropsychopharmacology, a privação de sono esteve associada a uma piora na comunicação entre os neurônios do hipocampo, região cerebral essencial para a formação e a consolidação de novas memórias. E a cafeína se mostrou uma possível aliada contra esse efeito.

Pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura interromperam o sono de camundongos durante cinco horas. Em seguida, eles receberam cafeína misturada a água potável para consumo livre durante sete dias. Os pesquisadores também analisaram a atividade elétrica do cérebro dos roedores para verificar os efeitos da intervenção. Os resultados mostram que, após a intervenção, o circuito cerebral apresentou sinais de recuperação.

“Hoje já temos evidências bastante consistentes de que o sono é fundamental para a consolidação da memória, já que é nesse período que o cérebro organiza as informações aprendidas ao longo do dia e fortalece as conexões entre os neurônios, permitindo que essas lembranças sejam armazenadas de forma mais duradoura”, diz a neurologista Ana Aguilar, especialista em medicina do sono do Einstein Hospital Israelita.

Durante o descanso noturno, o cérebro reforça as conexões entre os neurônios e promove alterações importantes para a plasticidade cerebral — capacidade de se reorganizar diante de novos estímulos.

Quando o descanso é insuficiente ou fragmentado, esse processo é interrompido, prejudicando o aprendizado e a consolidação das memórias.

“Em períodos prolongados de vigília, ocorre acúmulo de adenosina no cérebro, que funciona como um freio sobre a atividade neuronal. A cafeína compete com a adenosina por esses receptores, reduzindo esse efeito inibitório e, segundo o estudo, consegue impedir parte do prejuízo causado pela privação de sono”, explica Aguilar.

É importante ressaltar que o fato de a pesquisa ter sido feita em animais não permite confirmar, em humanos, os efeitos da cafeína observados no camundongos.

“Outros aspectos precisam ser avaliados, pois a privação do sono prejudica a função cognitiva por diferentes mecanismos, como o prejuízo do sistema linfático, importante para a limpeza do cérebro”, avalia a pneumologista Luciana Palombini, especialista do Instituto do Sono ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Recorrer constantemente à cafeína para conseguir manter o estado de alerta pode ser um sinal de que a qualidade ou a quantidade do sono está inadequada e merece investigação.

“Se a pessoa tem necessidade constante do uso da cafeína no dia a dia, é essencial entender a razão de seu sono estar tão prejudicado. É importante combater a atual epidemia de privação do sono no mundo, causada pela falta da priorização do descanso”, orienta Palombini.

O ideal é maneirar no consumo moderado da substância. As recomendações em geral são de até 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a quatro xícaras de café coado. No entanto, a orientação deve ser individualizada, considerando as características e as condições de saúde de cada pessoa.

Autor: Folha

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