
Pesquisas recentes revelam que o solo encharcado por chuvas prolongadas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, é a principal causa do tombamento de araucárias gigantes no Sul do país. O alerta surgiu após quedas emblemáticas no Paraná e em Santa Catarina, mobilizando especialistas para monitorar as árvores monumentais que restam e preservar o DNA dessas espécies centenárias.
Onde estão localizadas as maiores araucárias do país?
As maiores araucárias conhecidas estão concentradas na Região Sul, em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O destaque atual é o ‘Pinheirão’, localizado em uma fazenda em São Joaquim (SC), que possui mais de 39 metros de altura e um tronco com 3,25 metros de diâmetro. Outras árvores monumentais podem ser encontradas em parques públicos, áreas de pesquisa da Embrapa e propriedades particulares em cidades como Canela (RS), Cruz Machado (PR) e Fraiburgo (SC).
É o vento que derruba essas árvores gigantes?
Diferente do que muitos acreditam, estudos científicos mostram que o vento raramente atinge a força necessária para romper o tronco dessas gigantes. O verdadeiro vilão é o solo saturado. As araucárias gigantes costumam viver em solos argilosos, que retêm muita água. Quando chove por muitos dias seguidos, o solo perde sua coesão e vira uma espécie de lama, fazendo com que as raízes percam a sustentação e a árvore tombe pelo próprio peso, mesmo sem ventanias extremas.
Como o fenômeno El Niño influencia esse cenário de risco?
Em anos de El Niño, o padrão de chuvas muda no Sul do Brasil. Em vez de tempestades isoladas que dão tempo para o solo secar, ocorrem sequências prolongadas de dias chuvosos. Esse acúmulo de água mantém a terra constantemente encharcada, aproximando o solo do seu ‘limite de liquidez’. Quando o terreno fica mole demais por semanas, árvores que resistiram por séculos acabam cedendo à instabilidade do solo.
O que pode ser feito para salvar as araucárias que restam?
Especialistas defendem estratégias de manejo preventivo, como a melhoria da drenagem em locais onde a água costuma acumular e o monitoramento constante da umidade do solo ao redor das árvores. Além disso, o uso de tecnologias como a tomografia nos troncos permite avaliar a saúde interna das árvores sem feri-las. Para os exemplares que já caíram, pesquisadores estão recorrendo à clonagem para garantir que o material genético dessas gigantes não se perca para sempre.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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