segunda-feira, agosto 3, 2026
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Pinhais

a crise que revela as fraturas do norte da África e da Europa

Em menos de uma semana, com o ápice em 30 de julho, entre 50 e 60 mil pessoas vindas do Marrocos cruzaram a fronteira para a cidade autônoma de Ceuta, um dos enclaves espanhóis na margem africana do Estreito de Gibraltar. O movimento, estimulado por informações falsas de “abertura da fronteira” espalhadas pelas redes sociais e por indícios de passividade inicial das autoridades do Marrocos, desencadeou uma grave crise política e humanitária. A situação, que, no momento, parece estar contida, com boa parte das pessoas que cruzaram a fronteira já tendo retornado ao Marrocos, resultou em dezenas de mortes. Até o momento, ao menos 70 corpos teriam sido identificados como sendo de pessoas que se afogaram ao tentar fazer, a nado, o caminho que separa os dois territórios.

Esta é uma crise complexa, que deve ser analisada sob múltiplos ângulos.

Ceuta é uma pequena cidade de enorme importância geopolítica, localizada em uma posição estratégica na margem sul do Estreito de Gibraltar, uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passam milhares de navios em trânsito entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo.

Sob domínio europeu há séculos — Ceuta, conquistada por Portugal em 1415 e incorporada definitivamente à Espanha em 1668; e Melilla, espanhola desde 1497 —, as duas cidades autônomas são, até hoje, reivindicadas pelo Marrocos.