
O governo de Donald Trump abriu um novo capítulo na extensa crise diplomática com o Brasil nesta terça-feira (4) ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira no país.
A decisão surge em meio a uma série de desentendimentos diplomáticos, comerciais e políticos acumulados ao longo do último ano e meio entre os países, que envolve desde declarações oficiais a ações práticas como a invalidação de vistos.
As tensões entre o governo Lula (PT) e o governo Trump tiveram início no ano passado com o tarifaço de 50% sobre importações brasileiras. Naquela ocasião, o republicano impôs uma sobretaxa de 40% sobre mercadorias do Brasil que se somou aos 10% da tarifa global do Dia da Libertação, como forma de pressionar o Brasil a ajustar sua política externa.
Trump justificou a medida em uma carta endereçada a Lula, dizendo que a decisão tinha como base uma relação comercial injusta entre os países e a postura do STF em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que na ocasião ainda não havia sido condenado pela suposta tentativa de golpe.
Além de atingir a economia brasileira, a Casa Branca também mirou o país na esfera judicial com o processo na Justiça da Flórida contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por decisões judiciais consideradas ilegais contra empresas e cidadãos americanos e com a imposição de sanções com base na Lei Magnitsky, que posteriormente foi derrubada após uma tentativa de aproximação entre Washington e Brasília.
Política de visto vira estratégia política para Brasil e EUA
O visto se tornou uma das estratégias centrais dos dois países para lidar com os desentendimentos políticos.
No ano passado, Trump utilizou o Departamento de Estado para revogar o documento de autoridades brasileiras após a condenação de Jair Bolsonaro. Entre os nomes estão membros do governo Lula, como o advogado-geral da União, Jorge Messias, e membros atuais e aposentados do STF como Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli e outros. A medida também atingiu familiares dos magistrados.
Em janeiro, o Departamento de Estado americano suspendeu a concessão de vistos de residência permanente para cidadãos do Brasil e outros 74 países, sob a justificativa de que imigrantes dessas nações receberiam benefícios sociais “em níveis inaceitáveis”.
Além disso, em abril, o governo Trump decidiu expulsar dos EUA o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que teria colaborado com a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo departamento de imigração americano.
Em resposta, Lula ameaçou adotar o princípio da “reciprocidade” – isto é, expulsar agentes americanos que estavam no país.
O foco agora se volta às eleições de outubro, quando o petista deve concorrer com o senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Nas últimas semanas, a gestão petista acirrou a crise com Washington ao negar vistos de entrada no Brasil a dois altos funcionários do Departamento de Estado americano, que pretendiam se reunir com autoridades nacionais e verificar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Para Lula, a visita teria como finalidade interferir na votação de outubro.
Autor: Gazeta do Povo








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