Morreu na tarde deste sábado (26) Dom Pedro Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, aos 100 anos. A notícia foi confirmada pela Arquidiocese de Curitiba no início desta noite.
O arcebispo completou 100 anos em 11 de agosto. À frente da Igreja Católica na capital paranaense até 2003, o religioso acompanhou os curitibanos por mais de três décadas, desde que assumiu o cargo em 1971.
A trajetória de Dom Pedro Fedalto
Nascido na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto era o primeiro filho de uma família de agricultores de origem italiana. Sua vocação religiosa despertou ainda na infância, por incentivo de um professor de catequese local. Em 1940, aos 13 anos, ingressou no Seminário São José, em Curitiba, iniciando uma jornada acadêmica e espiritual que o levaria aos estudos de Filosofia e Teologia em São Paulo, culminando em sua ordenação sacerdotal em dezembro de 1953.
A trajetória de Dom Pedro seguiu um caminho incomum no clero: ele jamais atuou como pároco de uma comunidade. Logo após ser ordenado, foi escolhido pelo então arcebispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux para atuar como seu secretário pessoal. A partir dali, assumiu funções de grande responsabilidade na administração diocesana, como chanceler da Cúria, vigário-geral e bispo auxiliar, o que lhe permitiu construir um conhecimento profundo sobre a dinâmica religiosa e social da região.
Em 1971, no contexto das transformações impulsionadas pelo Concílio Vaticano II, foi nomeado arcebispo de Curitiba pelo Papa Paulo VI. A importância de Dom Pedro Fedalto para a Igreja Católica e Curitiba ultrapassa o período de sua longa gestão. Ele foi a figura central na condução e modernização da instituição na capital paranaense após essas diretrizes do Concílio, sabendo conciliar renovação e tradição em um período de intensas transformações sociais e culturais.
À frente da arquidiocese por 32 anos — uma das gestões mais duradouras da história da Igreja na capital —, Dom Pedro liderou uma intensa expansão comunitária. Em articulação com o planejamento urbano da cidade, criou 74 novas paróquias, fundou 11 pastorais e ordenou 74 padres.
Arcesbipo emérito recebeu João Paulo II em Curitiba em 1980

Dom Fedalto recebeu João Paulo II em Curitiba durante a visita do papa à capital paranaense, em julho de 1980. (Foto: Arquivo/Arquidiocese de Curitiba)
Dom Fedalto teve papel de destaque na organização da visita do papa João Paulo II a Curitiba, em 1980. Os preparativos começaram mais de um ano antes e envolveram a Igreja, autoridades e milhares de voluntários. Durante a passagem pela capital, o pontífice ficou hospedado na residência do arcebispo.
A visita ocorreu nos dias 5 e 6 de julho de 1980. João Paulo II chegou de Porto Alegre e desembarcou na capital paranaense beijando o solo. Do aeroporto, onde concedeu as primeiras bênçãos, o papa seguiu em um micro-ônibus adaptado como papamóvel até o estádio Couto Pereira, no bairro Alto da Glória. Dom Fedalto foi o responsável por receber o pontífice em Curitiba.
Antes da missa, João Paulo II visitou uma réplica de uma casa construída no estilo das regiões montanhosas da Polônia, país de origem de sua família. Atualmente, a construção funciona como uma capela dedicada a Nossa Senhora de Czestochowa, padroeira da Polônia, e está instalada no Bosque do Papa, no Centro Cívico.
“O Papa jamais viria a Curitiba se não fosse Dom Pedro Fedalto, com a ajuda de Dom Jerônimo Mazzarotto e com o nosso apoio através do IPPUC e também dos padres da missão católica polonesa no Brasil, através do saudoso padre Benedito Grinkoski. Eles convenceram o Episcopado brasileiro a trazer o Papa para a mais eslava das províncias do Brasil, qual seja o Paraná, terra de polacos e de ucranianos e de muitos imigrantes estrangeiros”, disse Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, em uma entrevista à Tribuna do Paraná sobre o arcebispo.
160 cadernos
Reconhecido pelo perfil de gestor equilibrado e pela firmeza em diálogos com a sociedade civil e lideranças políticas, Dom Pedro preservou hábitos de vida simples. Andava de transporte público quando necessário e mantinha forte proximidade com a família e a comunidade. Ao longo de mais de três décadas de episcopado, registrou diariamente os acontecimentos e desafios da Igreja em cerca de 160 cadernos de diários pessoais, consolidando um legado de disciplina, acolhimento e dedicação integral à missão religiosa.
Homenagens e despedida
Em homenagem à sua trajetória e memória, todas as Santas Missas celebradas nas paróquias da região ao longo deste final de semana serão oferecidas em sufrágio por sua alma, reunindo os fiéis em oração.
A Missa de corpo presente será celebrada na próxima segunda-feira (28), às 10h. Logo após a cerimônia, ocorrerá o sepultamento na Catedral Basílica Menor de Curitiba.
Serviço de Despedida e Exéquias
Missa de corpo presente: Segunda-feira, 28 de setembro, às 10h
Local: Catedral Basílica Menor de Curitiba (Praça Tiradentes, Centro)
Sepultamento: Logo após a missa, nas dependências da Catedral Basílica
Autor: Gazeta do Povo








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