
O Café com a Gazeta do Povo recebeu nesta sexta-feira (25) a jornalista Cristina Graeml (PSD), última entrevistada da série de entrevistas com os candidatos ao Senado, promovida pelo programa Café com a Gazeta, da Gazeta do Povo.
A candidata lembrou da trajetória profissional de 36 anos no jornalismo e como colunista nos últimos anos, o que, segundo ela, colaborou com a aproximação com o eleitorado de direita por causa da defesa de pautas conservadoras. Em 2024, ela estreou nas urnas pelo PMB e chegou ao segundo turno das eleições municipais em Curitiba, recebendo mais de 390 mil votos. Graeml foi derrotada pelo atual prefeito da capital paraense, Eduardo Pimentel (PSD).
A candidata criticou as disputas na direita paranaense “pautadas por interesses pessoais” nas eleições ao Senado deste ano e defendeu que o adversário Deltan Dallagnol (Novo), que teve a campanha suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem direito de disputar as eleições em outubro.
“Eu passei a ser difamada por candidatos do partido dele, que disseram que sou oportunista porque eu nunca me solidarizei com ele, o que é mentira. […] Como jornalista, eu me solidarizo desde quando ele passou a ser atacado pelo PT por causa do famoso powerpoint e participei de manifestações de rua pró-Lava Jato em São Paulo em 2014 e 2015 ”, afirmou.
Por outro lado, Graeml fez duras críticas ao ex-juiz Sergio Moro (PL), que trocou o União Brasil para ser candidato ao governo do estado do Paraná. De acordo com a candidata, ela foi convidada por Moro para ser candidata ao Senado pelo União Brasil após o senador assumir a presidência do partido. Mas, ainda segundo Graeml, o ex-juiz deixou a sigla para viabilizar a candidatura pelo PL e deixou-a sem nenhuma perspectiva eleitoral durante a pré-campanha.
“Fui abandonada sozinha no partido, que ficou sem presidente estadual e sem candidato a governador. Já não tinha mais a garantia da legenda para senadora e não tinha mais nem chapa de deputados estaduais e federais para me ajudar numa eventual campanha. Quando o senador Moro saiu do partido e foi resolver a própria vida, ele levou com ele a chapa que eu tinha ajudado a montar”, acusou.
Questionada sobre as tensões institucionais no país, a candidata pontuou que o Senado tem sido omisso diante de abusos de autoridade praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com ela, o impeachment de integrantes do STF que descumprem a Constituição — citando o ministro Alexandre de Moraes — é uma de suas bandeiras prioritárias para recuperar o equilíbrio entre os Poderes.
“Enquanto não tirar um ministro, começando por Alexandre de Moraes, o Poder Judiciário não volta para o seu quadrado. Ele vai continuar avançando sobre os demais poderes”, afirmou a candidata durante a entrevista.
Graeml defende Sandro Alex como sucessor de Ratinho Junior, mas não se posiciona sobre Kassab
Graeml disse que ingressou no PSD a convite do governador Ratinho Junior (PSD), que, de acordo com ela, reconheceu o capital político da candidata e garantiu legenda para a disputa ao Senado. “Faltavam quatro dias para o fechamento da janela partidária […] e o governador me acolheu reconhecendo a liderança feminina que eu tinha demonstrado na eleição de 2024”, comentou.
Graeml reforçou que apoia o candidato governista Sandro Alex (PSD) para o Poder Executivo estadual e destacou os bons índices de aprovação da atual gestão no Paraná. Ela explicou que o papel dos dois senadores do estado será fundamental para articular com o governo federal o retorno de impostos pagos pelos paranaenses, viabilizando obras de infraestrutura, saúde e educação.
No cenário nacional, Cristina reafirmou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República, afirmando que o governador Ratinho Junior lhe deu total liberdade para manifestar esse posicionamento. Questionada sobre o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ela sustentou que a conjuntura partidária não condicionará a postura dela e que manterá independência, se for eleita.
“Ele é o presidente do meu partido, mas eu não o conheço e quem me trouxe para o partido foi o Ratinho Junior, meu padrinho político. […] Queria deixar bem claro que eu não respondo pelo Kassab, eu não respondo pelo Ronaldo Caiado [candidato a presidente do PSD], assim como eu não respondia pelo Davi Alcolumbre quando eu estava no partido do Moro”, rebateu.
Segurança pública e violência contra a mulher
Na área de segurança pública e legislação, a candidata defendeu o combate rigoroso à impunidade por meio da revisão do Código Penal, propondo o fim da progressão de pena, a extinção de benefícios como visitas íntimas a presidiários e o cumprimento integral das condenações.
A candidata defendeu ainda a redução da maioridade penal e ações voltadas à proteção das mulheres vítimas de violência, destacando políticas estaduais de autonomia financeira para permitir o afastamento do agressor. “Ao combater a impunidade e endurecer a legislação penal, inibiremos a reincidência e transmitiremos à sociedade a mensagem de que o Estado não será conivente com a criminalidade”, ressaltou.
Graeml abordou também o desenvolvimento regional, lembrando ter percorrido mais de 60 mil quilômetros e 123 municípios no estado para ouvir lideranças locais. Segundo ela, seu mandato será municipalista, com foco em destravar burocracias ministeriais e ambientais que impedem o surgimento de agroindústrias e a geração de empregos no interior paranaense.
Antes de encerrar a sabatina, Graeml ainda respondeu a um jogo rápido de perguntas da sabatina sobre seus posicionamentos. Confira, a seguir, as respostas da candidata ao “Pinga-Fogo”:
- Câmera no uniforme da polícia: Contra.
- Voto impresso: A favor.
- Bets: Contra.
- Redução da maioridade penal: A favor.
- Legalização do aborto: Contra.
- Fim do foro privilegiado: A favor.
- Audiência de custódia: Contra.
- Teto de gastos: A favor.
- Escolas cívico-militares: A favor.
- Impeachment de ministro do STF: A favor.
Gazeta do Povo promove série de entrevistas com candidatos ao Senado
A Gazeta do Povo promove, no seu canal do Youtube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional.
As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 09h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta. As entrevistas são veiculadas no canal da Gazeta do Povo no Youtube e no site.
Autor: Gazeta do Povo








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