segunda-feira, agosto 10, 2026
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Pinhais

dívida de R$ 300 milhões e plano de recuperação judicial

O Grupo Gênios, controlador das redes Habib’s e Ragazzo, obteve na Justiça de São Paulo a suspensão de cobranças de dívidas por 60 dias para tentar renegociar um passivo que supera os R$ 300 milhões. A medida busca evitar o bloqueio de bens enquanto a gigante do setor de alimentação tenta sobreviver aos impactos da pandemia, da inflação e das mudanças profundas nos hábitos de consumo dos brasileiros.

Quais fatores levaram a rede Habib’s a acumular uma dívida tão alta?

A crise é resultado de uma combinação de fatores que atingiram o coração do modelo de negócios da marca. A pandemia reduziu drasticamente a circulação de pessoas nas lojas físicas, que são conhecidas por espaços amplos e áreas infantis. Ao mesmo tempo, o crescimento explosivo dos aplicativos de entrega trouxe uma concorrência feroz de pequenas empresas, comprimindo as margens de lucro. A inflação também desempenhou um papel crucial, elevando os custos de ingredientes e operação, o que tornou quase impossível manter a famosa estratégia de preços extremamente baixos. Se há uma década uma esfiha custava menos de um real, hoje o valor subiu significativamente para cobrir os gastos, afastando parte do público que buscava apenas o menor preço no mercado de alimentação rápida.

Como a mudança no perfil do consumidor afetou o desempenho das lojas?

O público das classes B, C e D, que sempre foi o foco do Habib’s, está mais endividado e cauteloso. Com cerca de 80% das famílias brasileiras enfrentando dívidas, o consumo de alimentação fora do lar tornou-se um dos primeiros itens a serem cortados no orçamento doméstico. Além disso, a rede tem sofrido críticas quanto à falta de padronização e queda na qualidade dos produtos. Relatos de consumidores indicam que a experiência nas lojas se tornou imprevisível, com variações no preparo de lanches clássicos, como o Beirute. Essa perda de confiança no padrão de qualidade afasta clientes fiéis que agora preferem gastar seu dinheiro em opções que garantam uma experiência mais constante e satisfatória, agravando ainda mais a queda no faturamento mensal do grupo.

Quais foram os aprendizados do fundador Alberto Saraiva com a crise?

O fundador da rede, Alberto Saraiva, reconheceu que a gestão das despesas não recebia a atenção necessária antes da crise. Ele admitiu que era ‘solto’ com os gastos, delegando essa responsabilidade totalmente ao setor financeiro sem um controle rigoroso sobre a eficiência operacional. Com a necessidade de sobrevivência, o grupo passou a enxergar cada item de despesa como prioridade máxima, buscando eliminar o que Saraiva chama de ‘excesso de gordura’ no negócio. Esse choque de gestão tenta resgatar a mentalidade de eficiência que marcou o início da empresa, quando ele precisou assumir a padaria da família após uma tragédia pessoal. Agora, o foco total é na austeridade e na readequação da estrutura para que a operação volte a ser rentável em um cenário econômico muito mais difícil.