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Um juiz, uma garrafa de vinho e o alcoolismo – 17/08/2026 – Vida de Alcoólatra

Um juiz. Uma garrafa de vinho. Um cigarro aceso com um maçarico. Tudo isso aconteceu durante uma audiência no fórum de Minas Gerais. Mesmo estando em home office, nada justifica uma cena como essa. As imagens que circularam na internet mostram o juiz Milton Lívio Lemos Salles bebendo vinho direto da garrafa. A audiência foi interrompida assim que seus colegas perceberam o que estava acontecendo.

A cena poderia facilmente fazer parte de um filme. Mas aconteceu de verdade. E aconteceu justamente em um lugar que exige seriedade, equilíbrio e respeito. Um fórum não é um bar, uma sala de estar ou qualquer outro ambiente privado. É um espaço onde as pessoas esperam encontrar Justiça.

Quando um juiz entra em uma audiência, ele não está ali apenas como um cidadão comum. Ele representa uma instituição. Por isso, uma garrafa de vinho e um cigarro deixam de ser apenas detalhes. Naquele momento, passam a simbolizar uma quebra da confiança que as pessoas depositam em quem tem a responsabilidade de julgar.

É claro que o caso chama a atenção e provoca indignação. Mas acho que a discussão não deveria parar por aí. O mais importante é entender o que aconteceu. Foi um episódio isolado? Já existiam outros sinais de que algo estava errado? Tudo isso precisa ser esclarecido.

Também não acho correto condenar alguém apenas pelas redes sociais. Julgamento é coisa séria. Ao mesmo tempo, se realmente existem relatos de que esse comportamento não foi um fato isolado, eles precisam ser investigados.

O que mais me chamou a atenção, porém, foi outra coisa.

Será que estamos diante apenas de um homem que fez algo absurdo? Ou de alguém que pode estar doente?

Não sei se esse juiz sofre de alcoolismo. Ninguém pode fazer um diagnóstico olhando um vídeo. Mas quem convive com essa doença sabe que ela costuma aparecer justamente assim: quando a pessoa já perdeu completamente a noção do que é aceitável. Ela não escolhe profissão, cargo ou condição social. Pode atingir qualquer um.

Particularmente, fiquei com pena dele. Ao longo dos anos, acompanhei muitas pessoas em reuniões de Alcoólicos Anônimos e aprendi que, por trás de cenas que parecem apenas revoltantes, muitas vezes existe alguém que já perdeu o controle da própria vida.

Isso não significa que ele não deva responder pelos seus atos. Deve, como qualquer outra pessoa. Mas uma coisa não impede a outra. É possível cobrar responsabilidade e, ao mesmo tempo, reconhecer que talvez exista uma doença por trás de tudo isso.

Espero sinceramente que ele receba ajuda.

E espero também que esse episódio sirva para lembrar uma coisa que muita gente ainda insiste em ignorar: o alcoolismo não destrói apenas a vida de quem bebe. Ele destrói famílias, carreiras e pode atingir até mesmo pessoas que ocupam cargos dos quais esperamos o máximo de equilíbrio e responsabilidade.


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Autor: Folha

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