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Vacina de mRNA pode impedir retorno do câncer de pele – 19/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

Uma vacina experimental de mRNA permitiu que pessoas com melanoma de alto risco vivessem mais tempo sem câncer, anunciaram nesta quarta-feira (19) as farmacêuticas Moderna e Merck.

Há décadas, as vacinas contra o câncer são uma das ideias mais promissoras no tratamento da doença — com a esperança de mobilizar o próprio sistema imunológico do paciente para atacar tumores.

“É um avanço importante”, diz Elias Sayour, oncologista pediátrico da Universidade da Flórida que não participou do estudo. Segundo ele, os resultados “podem ajudar a inaugurar toda uma nova geração de tratamentos terapêuticos contra o câncer”.

A tecnologia de mRNA, que foi fundamental para o rápido desenvolvimento de vacinas durante a pandemia da Covid, acrescentou mais rapidez e flexibilidade à busca por vacinas terapêuticas contra o câncer. Os cientistas podem usar a plataforma de mRNA para criar vacinas personalizadas, desenvolvidas sob medida de acordo com as características genéticas dos tumores de cada paciente.

As empresas divulgaram apenas as linhas gerais dos resultados do amplo estudo, acompanhado de perto, e planejam apresentar os detalhes em um congresso médico internacional e aos órgãos reguladores.

No estudo de fase avançada, que envolveu 1.137 pessoas com melanoma de alto risco submetidas a cirurgia para a retirada do câncer, os pacientes que receberam a vacina personalizada, chamada intismeran, junto com um medicamento de imunoterapia chamado Keytruda apresentaram menor probabilidade de recidiva ou disseminação da doença em comparação com aqueles que receberam apenas Keytruda.

Os cientistas criam a intismeran por meio do sequenciamento do tumor do paciente e da seleção dos chamados “neoantígenos”, que ensinam o sistema imunológico a atacar o câncer. Eles usam a rápida e flexível tecnologia de mRNA para criar uma vacina com neoantígenos selecionados para cada paciente — um processo que leva cerca de seis semanas.

“É certamente gratificante ver esses resultados tão animadores —e perceber que completamos o ciclo, desde nossas primeiras demonstrações de viabilidade do conceito até agora”, escreveu por email Catherine Wu, professora de medicina da Harvard Medical School e do Dana-Farber Cancer Institute e uma das principais especialistas da área.

Em 2017, o laboratório de Wu demonstrou o potencial de vacinas personalizadas que treinam um contingente de células imunológicas para atacar os neoantígenos específicos presentes no tumor de cada paciente.

“Aquele foi o ponto de partida dessa área. Eram estudos pequenos, com menos de 20 pacientes”, diz Wu. Ela acrescenta que o próximo desafio será encontrar uma forma de estender essa abordagem a outros tipos de câncer que podem ser mais difíceis de tratar do que o melanoma, um câncer de pele letal com estimativa de 112.000 novos casos por ano nos Estados Unidos.

O estudo é o mais avançado entre vários ensaios que testam essa abordagem contra diversos tipos de câncer, entre eles os de pulmão, bexiga, rim e pâncreas. Embora estudos pequenos tenham demonstrado o potencial da abordagem, o ensaio da Moderna e da Merck era visto como um importante indicador da eficácia da tecnologia — e como um primeiro passo para transformar o tratamento do câncer por meio de terapias personalizadas para o tumor de cada pessoa, que talvez, no futuro, consigam se antecipar às mudanças da doença.

“Pessoas como eu, que atuam nessa área, estavam esperando por isso”, diz Sayour, acrescentando: “Acreditávamos nisso, esperávamos por isso, mas acho que há um enorme potencial para aprimorar essas abordagens”.

Autor: Folha

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