
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (18) que a dívida pública americana superou os US$ 40 trilhões (R$ 207,20 trilhões, na cotação mais recente). Os dados oficiais mostram que o total da dívida chegou a US$ 40,04 trilhões.
Segundo os dados, cerca de US$ 32,2 trilhões (R$ 167,2 trilhões) correspondem a títulos em poder do público, entre investidores, empresas, governos estrangeiros e outras instituições. Outros US$ 7,7 trilhões (R$ 40,1 trilhões.) representam gastos do próprio governo.
É a primeira vez que a dívida pública dos EUA ultrapassa os US$ 40 trilhões. A marca chama atenção pela velocidade do crescimento. Há dez anos, a dívida americana estava em torno de US$ 19,4 trilhões (R$ 100,46 trilhões), segundo informou a CNBC, ou seja, em dez anos a dívida dobrou. Em março deste ano, ela já havia ultrapassado os US$ 39 trilhões (R$ 201,95 trilhões), o que significa que o governo americano aumentou a dívida pública em US$ 1 trilhão em cinco meses.
O aumento ocorre em um momento de forte pressão sobre as contas públicas. O Tesouro dos EUA registrou déficit de US$ 432,3 bilhões (R$ 2,23 trilhões) apenas em julho, o maior resultado negativo mensal desde março de 2021. No acumulado do ano fiscal, o rombo já se aproxima de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,32 trilhões), conforme os dados citados pela CNBC.
O principal impacto imediato do aumento da dívida aparece no custo dos juros pagos pelo governo. Segundo a agência Reuters, as despesas com juros já ultrapassaram US$ 1,1 trilhão (R$ 5,7 trilhões) nos primeiros dez meses do atual ano fiscal e se tornaram a segunda maior parte do orçamento federal, atrás apenas da Previdência Social e acima dos gastos com o Medicare, o programa de financiamento público de saúde. Para a população, o aumento pode se traduzir em juros mais altos em financiamentos imobiliários, empréstimos para carros e crédito em geral, além de reduzir o espaço do governo para gastar em outras áreas.
Entidades que acompanham as contas públicas reagiram à nova marca com alertas. Em comunicado divulgado pelo Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB), organização apartidária e sem fins lucrativos que analisa a política fiscal e o orçamento dos Estados Unidos, a presidente da entidade, Maya MacGuineas, afirmou que o crescimento da dívida aumenta os custos com juros, pressiona outras prioridades do orçamento e deixa o país mais vulnerável diante de futuras emergências.
Segundo a Reuters, especialistas em contas públicas alertam que a trajetória pode levar os Estados Unidos a uma crise fiscal caso o governo não consiga reduzir os déficits e controlar o crescimento da dívida. Segundo dados citados pelo site The Hill, a dívida dos Estados Unidos já equivale a cerca de 122% do tamanho da economia do país. Isso significa que o governo deve mais do que toda a riqueza produzida pelos EUA em um ano.
O aumento do endividamento foi impulsionado por diferentes fatores ao longo dos últimos anos, incluindo os gastos extraordinários durante a pandemia de Covid-19, programas sociais, despesas obrigatórias crescentes e decisões tributárias tomadas por governos tanto republicanos quanto democratas. A dívida pública aumentou tanto durante o primeiro governo do presidente Donald Trump quanto durante a presidência de Joe Biden.
Desde o início deste segundo mandato de Trump, em janeiro do ano passado, a dívida cresceu cerca de US$ 3,8 trilhões (R$ 19,67 trilhões). No primeiro mandato do republicano, o aumento foi de aproximadamente US$ 7,8 trilhões (R$ 40,40 trilhões), enquanto durante os quatro anos do governo Biden o aumento foi de cerca de US$ 8,4 trilhões (R$ 43,51 trilhões), segundo levantamento feito pela agência Reuters.
Autor: Gazeta do Povo








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