quinta-feira, agosto 20, 2026
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Casas Bahia e Marabraz pedem recuperação judicial em 2026

O varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, um salto de 20,4% em comparação ao ano anterior. Nomes de peso como Casas Bahia e Marabraz lideram os pedidos de socorro financeiro. A crise é impulsionada pela combinação de juros altos em 14% ao ano, crédito escasso e um endividamento recorde das famílias, que sufoca as vendas e o caixa das redes.

O que está causando essa onda de pedidos de recuperação judicial no varejo?

Os principais culpados são os juros altos e o endividamento recorde das famílias brasileiras. Com a taxa Selic em 14% ao ano, o custo para uma empresa financiar seu estoque ou pagar dívidas antigas se torna insuportável. Além disso, o consumidor final também sofre, pois o crédito fica mais caro e difícil de conseguir, reduzindo o poder de compra. Dados recentes mostram que 82% das famílias estão endividadas, o que explica por que as vendas no setor estão em queda livre há mais de um ano, forçando grandes redes a buscarem proteção na Justiça para não quebrarem definitivamente.

Como a Casas Bahia e outras grandes marcas justificam sua situação financeira?

A Casas Bahia, que possui um passivo de R$ 17,3 bilhões, argumenta que os custos financeiros atuais são tão elevados que anulam qualquer melhora na operação das lojas. Já o Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, aponta que o cenário econômico adverso com dívidas superiores a R$ 1 bilhão tornou a operação insustentável sem uma reestruturação. Até redes de alto padrão, como o supermercado St. Marche, e lojas focadas em produtos domésticos, como a Polishop, recorreram à medida alegando dificuldades em importar mercadorias, queda na demanda e prazos de pagamento cada vez mais curtos.

Qual é a maior dificuldade enfrentada pelas redes físicas diante do e-commerce?

Além dos problemas econômicos, muitas varejistas tradicionais falharam em acompanhar a rapidez da transformação digital. Entre 2020 e 2025, o faturamento do comércio eletrônico no Brasil quase dobrou, chegando a R$ 235 bilhões. Pesquisas mostram que, em datas comemorativas, o consumidor prefere cada vez mais a internet às lojas de rua. Especialistas apontam que empresas como a Marabraz ficaram presas a um modelo físico dependente de grandes estruturas, enquanto a Casa & Vídeo, apesar de vender online, ainda via 84% de sua receita vir de unidades físicas, o que gera um custo fixo muito alto.