A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) adotou uma medida cautelar para impedir, de forma preventiva, que a Hapvida aplique reajustes de dois dígitos ou rescinda unilateralmente cerca de 947 mil contratos de sua carteira. A informação foi publidada pelo O Globo e confirmada pela Folha.
A ANS afirma que notificou a operadora a prestar esclarecimentos e vai se reunir com seus representantes.
Em nota, a Hapvida disse que não havia sido formalmente notificada sobre a medida cautelar da agência reguladora. Diante disso, a empresa solicitou uma audiência de urgência com a diretoria da ANS para apresentar seus dados regulatórios e técnicos.
“A companhia esclarece que as medidas anunciadas, sempre em absoluto respeito à legislação e à regulação, estão relacionadas a contratos com inadimplência e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico-financeiro”, disse a Hapvida.
Segundo o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, a atuação da agência busca assegurar o cumprimento das normas regulatórias e a proteção dos beneficiários diante da dimensão da medida anunciada.
“Em vista do grande número de contratos e de vidas envolvidas, essa medida tem uma aparência muito forte de seleção de risco, o que é proibido e que será apurado pela ANS”, afirmou.
A prática de seleção de risco consiste em selecionar ou excluir clientes com base no perfil de custo ou utilização e é estritamente proibida pela legislação do setor.
Os contratos na mira da revisão possuem tíquete médio cerca de 50% inferior à média geral da carteira da Hapvida.
Em comunicado enviado à imprensa, a Hapvida afirma que o processo de revisão não significa necessariamente o cancelamento dos planos de saúde, mas uma busca ativa por reequilíbrio financeiro no período regular de renovação anual dos contratos coletivos.
A companhia disse que a manutenção do plano depende de bases sustentáveis de livre iniciativa, e que a decisão final de rescisão ou saída cabe exclusivamente aos clientes empresariais contratantes.
A intervenção da ANS ocorre uma semana após as ações da operadora de saúde desabarem mais de 33% na Bolsa de Valores em um único dia após a divulgação de resultados financeiros muito abaixo das expectativas.
No segundo trimestre de 2026, a operadora reportou um lucro líquido ajustado de apenas R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% no lucro líquido ajustado do período anterior.
O mercado reagiu à divulgação do balanço. No dia 13 de agosto de 2026, as ações fecharam cotadas a R$ 6,41. Foi o menor valor nominal registrado pelos papéis desde a estreia da empresa na Bolsa, em abril de 2018.
Autor: Folha








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