A chegada de 32 novos drones na Guarda Municipal de Curitiba (GMC) no final do mês de julho marca o início de uma nova fase em que a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a fazer parte da linha de frente no patrulhamento urbano.
A inovação foi citada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Curitiba, Sergio Bento, no 11º Congresso Paranaense de Cidades Digitais e Inteligentes, que aconteceu em São José dos Pinhais no início de agosto.
Equipados com inteligência artificial, visão térmica e alto-falantes, os drones não apenas expandem o alcance da GMC sobre praças, parques e grandes eventos, mas alteram a dinâmica de combate ao crime: inteligência e monitoramento aéreo agora chegam antes da viatura no local da ocorrência.
“Estamos na vanguarda. Os drones são agora os olhos da Guarda no céu, potencializam o nosso poder de guarnição”, diz o comandante da Guarda Municipal de Curitiba, José Carlos Felipus Costa.
Até então, o uso de aeronaves remotamente pilotadas na corporação ocorria de forma pontual, para registros fotográficos, monitoramento de grandes eventos ou operações específicas. A nova fase, consolidada no último dia 28 de julho pelo Decreto 932, altera essa lógica com os equipamentos diretamente na rotina operacional de rua.
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Luzes, visão térmica e olhos no céu
Foram 80 guardas municipais habilitados para pilotar os novos drones, que serão utilizados em áreas estratégicas do município. A meta da corporação é descentralizar o uso dos equipamentos. Em vez de depender de um grupo isolado que se desloca sob demanda, a intenção é formar pelo menos um piloto habilitado por plantão de serviço nas viaturas de patrulha.
“Vamos utilizar os equipamentos em ocorrências de alto risco, isso vai permitir um melhor gerenciamento da operação e atenuar o risco do profissional. Termos diferentes tecnologias nos drones, como lanterna e visão térmica, e eles podem se comunicar com o abordado e com multidões”, diz o comandante Felipus Costa.
“A nossa ideia é cada vez mais explorar os recursos e acessórios, vamos desvendar esse caminho e aproveitar todo o potencial da ferramenta”, complementa ele.
Vantagem no apoio tático
Em ocorrências policiais de alta complexidade, como a busca por suspeitos em áreas de mata, acompanhamento de multidões ou checagem de locais de alto risco, a limitação da visão em solo tem sido uma grande dificuldade.
O uso dos drones vem justamente para alterar esse problema. Ao chegar a um local de crise, o operador pode elevar a aeronave antes mesmo da progressão da equipe.
“Em ocorrências de alto risco, a ferramenta permite gerenciar a crise sem expor o profissional a um perigo desnecessário. Você passa a ter uma condição privilegiada de visão por altura, o que atenua o risco do guarda e dá mais precisão à tomada de decisão”, explica Felipus Costa.
Conexão com a Muralha Digital
Um dos pilares da nova operação é a integração com a Muralha Digital, o ecossistema de monitoramento por câmeras da Prefeitura de Curitiba. As imagens captadas pelos drones em tempo real alimentam a Central de Operações da Guarda, permitindo que os analistas cruzem dados de inteligência e orientem outras equipes em solo.
A operação exige, no entanto, rigor regulatório para circular no espaço aéreo urbano. Todas as decolagens são submetidas às normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Exceções para decolagem imediata sem plano prévio só ocorrem em situações emergenciais respaldadas por lei, como risco iminente à vida ou perseguição policial.
Para evitar atritos quanto à privacidade da população, a corporação estabeleceu protocolos visíveis: nas ações preventivas em parques e praças, o operador estará devidamente uniformizado e a viatura identificada. Quando o foco for inteligência ou monitoramento discreto, a aeronave operará em altitudes regulamentares que priorizam a visão ampla em detrimento da identificação pessoal indevida.
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Autor: Gazeta do Povo








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