Protocolados no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), os planos de governo de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos candidatos ao governo de São Paulo, colocam a Segurança Pública como a prioridade número um.
Enquanto Haddad critica a atual gestão de Tarcísio e defende o lema “São Paulo pode mais”, Tarcísio, que busca a reeleição, lista os feitos de seu governo, afirma que está em uma “trilha de prosperidade” e que é preciso “seguir avançando”.
O documento protocolado pela candidatura de Tarcísio tem 68 páginas, enquanto o de Fernando Haddad tem apenas 15. Questionada, a assessoria de imprensa do candidato do PT esclareceu que são apenas “diretrizes” e que os planos de cada área serão divulgados paulatinamente, conforme a estratégia de lançar em separado os principais temas da campanha.
Para a análise, a reportagem considerou apenas os documentos protocolados no TRE-SP.
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Haddad apresenta seis eixos enquanto Tarcísio lista dez
As propostas de Fernando Haddad focam, principalmente, em criticar o atual governo e afirmam que Tarcísio “entrega pouco, muito menos do que toda a força paulista é capaz de gerar”. “O que encontrei foi uma situação pior do que eu imaginava”, diz Haddad em carta de apresentação, criticando a condução das áreas de segurança, saúde, educação e renda pelo governo atual.
O candidato do PT divide suas propostas em seis eixos: 1. Segurança Pública; 2. Educação; 3. Prosperidade; 4. Saúde; 5. São Paulo por Inteiro; e 6. Um Governo que Funciona.
Já o candidato do Republicanos elenca os avanços de seu governo, com destaque para o combate ao consumo de drogas a céu aberto, ou seja, a Cracolândia, para a política de saneamento básico e para obras de estradas e trilhos.
As novas propostas de Tarcísio são divididas em dez eixos: 1. Segurança; 2. Saúde; 3. Educação; 4. Desenvolvimento Social; 5. Mulheres; 6. Sustentabilidade; 7. Infraestrutura; 8. Economia do Conhecimento; 9. Prosperidade; e 10. Governança.
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O que propõe o plano de segurança de Haddad
O documento protocolado no TRE-SP pela candidatura de Fernando Haddad define como prioridade Nº 1 o “SP Protege com Impunidade Zero”, com ações contra o “prende-e-solta”. “Em São Paulo, o trabalhador vai voltar a viver em paz, porque o criminoso vai voltar a ter medo de ser pego”, afirma o documento.
Entre as propostas, estão o combate ao crime organizado nas cadeias, com separação de presos por perfil e facção e com corte de comunicações; aumento das investigações feitas pela Polícia Civil; integração entre a Polícia Militar e as guardas municipais; cruzamento de dados das ocorrências com as chamadas ao 190 para prevenir o crime; e a criação de um “Placar da Segurança”, com indicadores de esclarecimento das ocorrências divulgados trimestralmente.
A área de segurança contempla também o funcionamento de Delegacias da Mulher por 24 horas em regiões de maior demanda, o combate ao crime organizado, valorização salarial dos policiais civis, militares, penais, dos bombeiros e da Polícia Técnico-Científica.
O documento ainda propõe gravação contínua nas câmeras corporais, devolução dos celulares roubados, segurança no campo e “Alistamento Civil Remunerado”.
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Tarcísio já opera o que Haddad promete
O plano de Tarcísio traz propostas equivalentes às de Haddad em segurança, mas algumas são apresentadas como aperfeiçoamento de políticas já implementadas, e não como promessa nova.
O candidato à reeleição cita a transformação do atual Centro de Comando e Controle (CICC) em SP CIN (Centro de Inteligência e Inovação), com integração das forças de segurança, de dados de ocorrências e das chamadas ao 190. Também menciona o investimento em policiamento ostensivo em áreas com mais ocorrências e equipes táticas especializadas em motocicletas.
Além disso, cita a ampliação em 30% do programa Muralha Paulista, a intensificação do combate ao crime organizado e a criação do Fundo de Incentivo à Segurança Pública (FISP), para agilizar o congelamento de contas fraudulentas do crime organizado.
O documento também propõe “expandir as parcerias com as prefeituras” em atividades como a zeladoria urbana com custodiados, fomentando assim o trabalho dos que estão detidos no sistema prisional. Ainda projeta seguir “com as ações de reconhecimento e valorização das forças de segurança” e reposicionar o centro de São Paulo.
A diferença de tom aparece nos números. Tarcísio cita mais de 540 operações contra o crime organizado desde 2023 e redução contínua nos indicadores de furto, roubo e homicídio. Haddad cita o índice de menos de 4% de esclarecimento de crimes, atribuído ao plano de governo que Tarcísio registrou na Justiça Eleitoral em 2022 e que, desde então, tem executado.
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Onde os planos convergem, apesar do antagonismo declarado
Os dois candidatos preveem monitoramento eletrônico de agressores e aplicativo de acionamento de emergência para mulheres em situação de violência doméstica. Haddad cita adesão ao “Alerta Mulher Segura”, programa federal, enquanto Tarcísio menciona expandir o “SP Mulher Segura” e a “Patrulha SP Mulher Segura”, já em operação.
Os dois planos também tratam inteligência artificial como eixo transversal, não como capítulo isolado: Haddad menciona IA para cruzar dados de segurança e saúde. Já Tarcísio detalha um “Supercomputador Paulista” para integrar dados do Estado de São Paulo e “Hubs de Inovação” regionais a partir da vocação de cada região.
Na saúde, o paralelo se repete. Haddad propõe o aplicativo “Meu SUS Digital”, com histórico clínico unificado, fila de espera consultável por CPF e atendimento em telessaúde, enquanto Tarcísio propõe 40% de aumento no número de teleatendimentos por meio do “SP Inova Saúde”.
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Onde a distância entre Tarcísio e Haddad é mais evidente
Tarcísio trata a desestatização da Sabesp como conquista central de sua gestão, com números de ampliação de acesso à água vinculados à privatização. Haddad não ataca nem defende o modelo da Sabesp no documento e trata universalização do saneamento como meta a cumprir, sem qualificar a gestão que a antecedeu.
O plano de Tarcísio reserva um eixo inteiro — o quinto de dez — a políticas para mulheres, com nove subprogramas, entre eles crédito para empreendedoras e atenção à saúde no climatério e na menopausa. No plano de Haddad, as menções a mulheres aparecem dentro de segurança e desenvolvimento social.
Os dois planos citam o mesmo dado de alfabetização — 61% das crianças paulistas da rede pública alfabetizadas na idade certa em 2025 — mas com leituras opostas. Haddad usa o número para dizer que o estado está “abaixo da média nacional” e atrás do Ceará. Tarcísio apresenta o mesmo 61% como ponto de partida do “Alfabetiza Juntos SP”, programa que ele próprio criou, com meta de chegar a 90% das crianças alfabetizadas até 2030.
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Autor: Gazeta do Povo








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