A Eurofarma reduziu os preços das doses de 1,7 mg e 2,4 mg do Poviztra, medicamento à base de semaglutida indicado para tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades.
A redução ocorre em um momento de forte procura por produtos feitos no Paraguai e de abertura do mercado brasileiro de semaglutida com a queda da patente da substância.
Com a nova tabela, a dose de 1,7 mg ficou 39% mais barata, enquanto a de 2,4 mg teve redução de 29%, custando R$ 829 e R$ 1.169, respectivamente, dentro do programa de suporte ao paciente EuroCuida. Antes, os valores eram de R$ 1.364 e R$ 1.637. A iniciativa, segundo a empresa, tem o objetivo de contribuir para a continuidade do tratamento.
Em junho, a Eurofarma já havia informado redução dos preços nas apresentações de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. As duas primeiras doses passaram a custar R$ 445 e a de 1 mg, R$ 490. As doses de 1,7 mg e 2,4 mg, porém, permaneceram com os mesmos valores.
A Eurofarma comercializa o Poviztra desde outubro de 2025, por meio de uma parceria com a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e Wegovy. Segundo a farmacêutica brasileira, o Poviztra é idêntico ao Wegovy.
O medicamento também é indicado para reduzir o risco de morte, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em adultos com doença cardiovascular estabelecida.
A redução ocorre em um momento de maior concorrência no mercado brasileiro de semaglutida, após a queda da patente da substância, que expirou em 20 de março de 2026.
A partir daí, empresas passaram a solicitar registros de novos medicamentos com a molécula, incluindo produtos sintéticos e biológicos, como Ozivy, da EMS e Extensior, da Eurofarma.
Em julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou cinco novas canetas de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Na última segunda (17), a agência aprovou o primeiro genérico de semaglutida do país.
Remédios de semaglutida pertencem à classe dos análogos do GLP-1, ou seja, agem de forma semelhante ao hormônio natural. Eles modulam mecanismos de saciedade e regulação metabólica, contribuindo para a perda de peso.
Já a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua sobre dois hormônios: o GLP-1 e o GIP. Por isso, é chamada de duplo agonista, mas isso não significa que ela seja mais forte.
Segundo Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, a agência pode aprovar mais oito canetas emagrecedoras até o fim de 2026. O governo monitora o registro de novos produtos, pois existe a expectativa de levá-los ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Em entrevista anterior à Folha, Safatle defendeu que mais empresas apresentem pedidos de registro no Brasil.
Ao mesmo tempo, há forte procura por produtos para emagrecimento fabricados no Paraguai, vendidos como versões dos originais a preços inferiores aos praticados no mercado brasileiro. Esses medicamentos entram no país de forma irregular e não têm registro sanitário na Anvisa.
O interesse por essas alternativas cresceu à medida que Mounjaro e Ozempic se popularizaram como tratamento para obesidade, mas permaneceram com preços elevados. Uma caixa de 2,5mg de Mounjaro, por exemplo, custa cerca de R$ 1.422, enquanto uma de 15mg chega a R$ 3.499. No Paraguai, uma versão de 15mg custa cerca de R$ 430.
Reportagem da Folha mostrou que canetas paraguaias são amplamente procuradas por brasileiros, enquanto a fiscalização na fronteira tem registrado aumento nas apreensões.
Na fronteira de Foz do Iguaçu, as apreensões desses medicamentos aumentaram 860,8% em um ano, segundo a Receita Federal, passando de 7.479 para 71.860 unidades.
Autor: Folha








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