
O arcebispo de Aracaju, Josafá Menezes da Silva, estabeleceu nesta segunda-feira (31) normas rígidas para o uso de inteligência artificial nas comunicações da Igreja Católica em Sergipe. A decisão, fundamentada em documentos do Vaticano e do Papa Francisco, proíbe a simulação de vozes e imagens do clero para evitar a criação de realidades paralelas e proteger a dignidade humana no ambiente digital.
Quais são as principais proibições impostas às comunicações da Igreja?
As novas regras impedem terminantemente o uso de IA generativa para reconstruir ou simular a aparência e a voz de bispos, padres e diáconos. Estão proibidas as chamadas deepfakes, que são vídeos ou áudios criados por computador que imitam pessoas reais com perfeição, fazendo-as parecer dizer ou fazer coisas que nunca aconteceram. O arcebispo também vetou a modificação de características físicas do clero em fotos e a criação de representações sintéticas que possam ser confundidas com registros fotográficos autênticos, garantindo que a comunicação seja sempre baseada na verdade.
Como deve ser feita a identificação de materiais criados por robôs?
Toda e qualquer arte ou conteúdo produzido com o auxílio de ferramentas tecnológicas inteligentes na arquidiocese deve, obrigatoriamente, passar por uma revisão feita por pessoas antes de ser publicado. Além disso, a regra exige que esses materiais sejam claramente rotulados. Isso significa que o fiel deve ser avisado de que aquilo que ele está vendo ou ouvindo teve interferência de máquinas. O objetivo é diferenciar o trabalho humano daquele gerado por algoritmos, especialmente quando a tecnologia puder afetar a percepção de realidade de quem consome a informação.
Em quais situações o uso da tecnologia é permitido como auxílio?
Apesar das restrições severas sobre a imagem humana, a inteligência artificial não foi totalmente banida, podendo ser uma ferramenta de suporte visual. O decreto lista nove situações específicas onde o uso é aceitável, como na criação de fundos de imagem, texturas e elementos abstratos. Ela também pode auxiliar em ilustrações, sugestões de layouts, escolha de cores e na edição geral de materiais. Nesses casos, a tecnologia funciona apenas como um assistente para o designer ou comunicador, e não como um substituto para a presença e a responsabilidade que pertencem ao ser humano.
Qual é a fundamentação religiosa para essas novas diretrizes tecnológicas?
O arcebispo baseou sua decisão no magistério da Igreja, citando documentos que tratam da dignidade humana na era tecnológica. Entre as referências estão mensagens do Papa Leão XIV e do Papa Francisco, que alertam sobre os riscos da inteligência artificial fabricar realidades paralelas e usurpar identidades. A Igreja defende que a tecnologia deve ser guiada pelo bem comum e nunca substituir o trabalho responsável que só as pessoas podem realizar. As diretrizes buscam prevenir fraudes digitais e cyberbullying, garantindo que a evangelização reflita a verdade de Cristo nos rostos e vozes reais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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