
A União Europeia confirmou nesta segunda-feira (31) que suspenderá, a partir de quinta-feira (3), as importações de carne brasileira e de outros produtos de origem animal. A confirmação foi feita pela Comissão Europeia – braço executivo da UE -, que afirma não ter recebido garantias suficientes de que o Brasil cumpre as regras sanitárias do bloco relacionadas ao uso de antibióticos na produção animal.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil deixará de estar autorizado a exportar para o mercado europeu animais destinados à produção de alimentos e produtos de origem animal voltados ao consumo humano. A restrição alcançará itens como carne bovina, carne de frango, ovos, mel e tripas utilizadas pela indústria alimentícia.
Bruxelas não informou um prazo geral para a retomada das importações. Contudo, uma auditoria nos setores brasileiros de aves e mel deve ser concluída na sexta-feira (4). Caso o resultado seja positivo e receba o aval dos países-membros da UE, as exportações de carne de frango poderão ser retomadas em algumas semanas. Para a carne bovina, porém, a liberação pode levar mais tempo.
A proibição da UE está relacionada às normas europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. O bloco proíbe o uso desses medicamentos para estimular o crescimento dos animais e restringe o uso de antibióticos considerados importantes para a medicina humana, com o objetivo de combater a resistência antimicrobiana.
O Brasil já havia sido incluído, em maio, em uma lista da União Europeia de países que não atendiam às regras do bloco sobre o uso de antibióticos em animais. A suspensão permanecerá até que as autoridades brasileiras consigam apresentar as garantias exigidas pelos europeus. O bloqueio afeta um mercado importante para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina da União Europeia, com mais de 92 mil toneladas vendidas ao bloco, em negócios que superaram 713 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões).
Em junho, representantes do setor agropecuário brasileiro atribuíram a proibição à demora do governo Lula em fornecer a documentação necessária para comprovar o atendimento às normas europeias.
Também em junho, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que havia um “diálogo construtivo” com o Brasil, mas ressaltou que as normas sanitárias europeias precisavam ser cumpridas. A Comissão Europeia afirma que todas as vendas poderão ser retomadas assim que o país demonstrar que atende às exigências.
Autor: Gazeta do Povo








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