quinta-feira, setembro 3, 2026
13 C
Pinhais

Trilha Interparques conecta 182 km na zona sul de SP – 02/09/2026 – É Logo Ali

Esta coluna nunca foi muito de falar de cicloturismo, até porque, confesso: nunca aprendi a andar de bicicleta. Meu negócio é um pé na frente do outro. Eventualmente, um acima do outro numa escalaminhada com a bunda, o chamado quinto apoio, pelo meio. Mas, com a explosão do universo ciclista em vias urbanas e trilhas, resolvi dar uma chance ao esporte, que há tempos não tem mais um espaço específico no jornal. Isto posto, vamos estrear conversando com uma das maiores ativistas do mundo de duas rodas do país, quiçá do universo: Renata Falzoni.

Procurei a jornalista e hoje vereadora pelo PSB de São Paulo Renata Falzoni, 73, para falar de um projeto que há tempos vinha tentando ignorar, que é a Trilha Interparques, anunciada pela Prefeitura de São Paulo em abril de 2025. Com 182 quilômetros de extensão, ela conecta várias unidades de conservação municipais, estaduais, represas e reservas particulares na zona sul.

Quando foi anunciada, fui conhecer como de costume, ou seja, com uma garrafinha de água e os dois pés, para descobrir que, na verdade, ela estava formatada mais para ser uma ciclovia que uma trilha caminhável. O acesso no trecho inicial, na Balsa da Ilha do Bororé, na zona sul de São Paulo, tinha tráfego intenso em duas mãos, numa via sem acostamento. Em vários momentos, me exigiu pular para o meio do mato para não ser atropelada. Nunca mais voltei.

“Você pegou os primeiros metros apenas, recentemente asfaltados, o que atraiu tráfego perigoso”, explica Falzoni. “Quando você efetivamente entra na “single track” maravilhosa no meio das árvores, dá para ir por ela até o Parque Itaim”, acrescenta. Single track, no mundo das bikes, é aquela trilha que permite a passagem de apenas uma bicicleta por vez.

Falzoni admite que o tráfego de veículos motorizados que ainda cruza em vários pontos a trilha pode ser um problema, mas pondera que há ferramentas para melhorar a situação e que há muito a ser feito.

“Por exemplo, hoje, para você fazer bem a Interparques, você tem que ir de carro para entrar na trilha, sair, pegar um Uber, ir para outra”, admite. “Isso não é o correto, você tem que ter toda essa rota sinalizada e calma”, ressalta.

Ela explica que, como a rota existe legalmente, “existem agora insumos de justificativa política para acalmar o trânsito nela”. Vá lá que isso exige vontade política, mas, em tempo de eleições, melhor deixar esse tema quieto. Sigamos.

“O conhecimento dessas trilhas veio pelos atletas que treinavam ali, eles fazem 182 quilômetros em um único dia, enquanto nós mortais os fazemos em até 5”, conta a vereadora. Com a oficialização da trilha a esses seres menos afoitos, ela explica que começaram a aparecer pousadas ao longo dos trajetos, bem como oferta de produtos e serviços dedicados aos ciclistas.

“Durante a pandemia, pessoas que tinham terras na zona sul, herdadas de avós, antigas chácaras, voltaram a morar nelas e começaram uma produção local”, afirma, mostrando para a colunista potes de várias conservas que comprou em seus passeios por lá, de cogumelos, mel e geleia de araçá-vermelho. Coisa para, quem sabe, convencer a interlocutora a arriscar uma voltinha na bike mais próxima. A conferir.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas