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Grêmio: jogador perde R$ 22,5 mil em golpe com Pix – 03/09/2026 – Esporte

Um homem suspeito de se passar pelo técnico Luís Castro, do Grêmio, para aplicar golpes em jogadores de futebol foi preso nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro.

Segundo a investigação, um dos atletas abordados, o atacante José Enamorado, chegou a transferir R$ 22,5 mil por Pix ao suspeito, após acreditar que participava de uma ação para arrecadar dinheiro para a compra de cestas básicas.

O homem de 29 anos foi preso na Operação Falso 9, realizada pelas polícias civis do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Ele é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade. Durante a ação, os policiais também encontraram munição com ele.

A polícia não soube informar se o preso constituiu advogado. A reportagem não localizou a defesa dele.

O suspeito tem passagem por clubes de futebol e foi jogador de categorias de base, de acordo com a investigação. Para a polícia, essa experiência ajudava o suspeito a se aproximar dos atletas e a reproduzir a linguagem usada no ambiente do futebol.

Os outros três jogadores do Grêmio abordados pelo número não chegaram a fazer pagamentos. Um deles foi o zagueiro Kannemann. O falso técnico chegou a orientar o argentino a chegar mais cedo ao centro de treinamento para uma conversa. Kannemann desconfiou da abordagem e procurou o verdadeiro treinador, descobrindo que a ordem não havia partido de Luís Castro.

O ex-jogador e dirigente colorado Andrés D’Alessandro também recebeu contato do suspeito, mas não chegou a ser vítima de prejuízo financeiro.

De acordo com a polícia, o número usado nas abordagens manteve ainda contato com outros jogadores vinculados a clubes brasileiros, um atleta de uma equipe europeia e um artista de grande popularidade nacional.

Procurada por e-mail na noite desta quarta-feira, a assessoria do Grêmio não respondeu até o fechamento desta reportagem.

A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. A apuração começou depois que quatro jogadores de um clube da capital gaúcha foram abordados por um número registrado em nome de um terceiro e que usava uma foto de Luís Castro no perfil do WhatsApp.

Segundo a investigação, o falso treinador conversou com o atacante colombiano José Enamorado durante vários dias antes de fazer qualquer pedido financeiro. Falava sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos, elogiava sua dedicação e pediu que o contato fosse mantido em sigilo.

A estratégia, segundo os investigadores, era criar uma relação de confiança e evitar que o jogador comentasse as conversas com outros atletas.

Depois, o suspeito apresentou uma suposta iniciativa de doação de cestas básicas para um grupo social no Rio de Janeiro. Disse que seriam necessárias 300 cestas, ao custo de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.

Em 6 de maio, enviou uma chave Pix que, segundo ele, pertencia a uma responsável pela instituição e orientou o atleta a fazer o pagamento. A primeira tentativa foi barrada pelo limite diário da conta. O golpista então pediu que a transferência fosse feita na manhã seguinte.

No dia seguinte, Enamorado realizou o Pix. Depois, recebeu uma suposta confirmação de que as cestas haviam sido entregues à instituição. Segundo a polícia, porém, o dinheiro foi direcionado a uma conta controlada pela organização criminosa.

Ainda naquele dia, o suspeito tentou aumentar o prejuízo. Afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, também queria contribuir com 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e pediu que Enamorado adiantasse a quantia, com a promessa de ressarcimento posterior.

A segunda transferência não foi realizada porque o valor também ultrapassava o limite bancário do jogador. Para reforçar a história, o suspeito teria mencionado a participação de outros atletas do time.

A Polícia Civil informou que o suspeito já havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante, de acordo com as informações compartilhadas entre as polícias.

A polícia também identificou uma estrutura em Itaperuna usada para movimentar os valores obtidos nas fraudes. Segundo os investigadores, o dinheiro passava inicialmente por contas de moradores do município antes de chegar aos integrantes da organização criminosa.

Autor: Folha

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