sexta-feira, setembro 11, 2026
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Cooperativas do agro ignoram crise e movimentam R$ 487 bilhões

O agronegócio brasileiro vive um momento de aparente contradição. De um lado, produtores endividados, crédito caro e escasso, juros elevados e custos de produção em alta – cenário que elevou 56,4% os pedidos de recuperação judicial em apenas um ano, segundo a Serasa Experian. Por outro lado, as cooperativas chamam atenção porque não apenas resistem, mas crescem nessa adversidade.

Somente no setor agro, há 1,13 milhão de cooperados, pequenos e médios produtores em sua maioria, reunidos em 1.254 cooperativas que movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025. O avanço foi de 11,2% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). O ramo respondeu por 57,4% de todos os ingressos do cooperativismo brasileiro, de longe o maior segmento em geração de riqueza.

Cooperativas avançam em meio a cenário de crise no agro

Não se trata de um mero caso de sorte setorial. A explicação para a resiliência e o avanço das cooperativas, mesmo em ambiente desfavorável, está na própria forma como elas são estruturadas.

Embora não estejam imunes às dificuldades enfrentadas pelo campo, ao reunirem milhares de produtores sob um mesmo guarda-chuva, as cooperativas diluem riscos, ganham escala, acessam crédito com mais facilidade, armazenam a produção e diversificam as fontes de receita. E, principalmente, avançam sobre etapas industriais de maior valor agregado.