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Como é testado o novo iPhone dobrável da Apple – 11/09/2026 – Tec

“Ele não vira — ele dobra”, essa foi a frase que circulou quando a Apple apresentou seu novo iPhone Duo nesta semana, durante um evento para a imprensa em Cupertino, na Califórnia. O evento deu aos jornalistas a oportunidade de conhecer o aparelho de perto e testá-lo brevemente antes de seu lançamento ao público, em outubro.

Brian X. Chen, repórter de tecnologia voltada ao consumidor do The New York Times; Brenda Stolyar, que cobre smartphones para o Wirecutter, site de recomendações de produtos do Times; e Caitlin McGarry, editora da cobertura de tecnologia do Wirecutter, estiveram no evento para conhecer o aparelho —e sua discreta dobra— pessoalmente. Eles explicaram como testam novos produtos de tecnologia e o que envolve uma avaliação.

Vocês ainda não têm acesso ao iPhone Duo. Mas a Apple promoveu um evento para a imprensa que permitiu aos repórteres conhecer o funcionamento do aparelho. Como são esses eventos e o que é possível descobrir neles?

Brian X. Chen: Steve Jobs é amplamente reconhecido como pioneiro nos eventos de lançamento de produtos, que se tornaram uma forma de marketing usada pelas empresas de tecnologia para apresentar novas invenções. Muitas companhias, incluindo Samsung, Google e Meta, passaram a seguir o modelo.

Em geral, integrantes da imprensa recebem convites para um evento em que executivos de tecnologia apresentam um produto. Normalmente, temos algum tempo para testá-lo antes de que ele fique disponível para o restante do público. É uma pequena janela que nos permite ter uma ideia se uma nova tecnologia vai se tornar uma tendência ou apenas uma moda passageira.

Caitlin McGarry: Também costumamos conversar com funcionários das empresas que trabalharam nos produtos e fazer perguntas sobre decisões ou recursos que sejam confusos ou pouco claros.

No pior cenário nesses eventos de lançamento, os produtos ficam atrás de um vidro ou rodam uma versão de demonstração do software —ou até um vídeo em looping— que não reproduz a experiência real de uso. No caso do iPhone Duo, conseguimos testar o aparelho de verdade por cerca de 45 minutos.

Brian, você escreve a coluna Tech Fix, do Times, sobre tecnologia para consumidores. Caitlin e Brenda trabalham para o Wirecutter, site de recomendações de produtos do Times. Como os objetivos de vocês são diferentes?

Brian X. Chen: Costumo fugir do formato tradicional de avaliação, que normalmente consiste em analisar os principais recursos de um produto, como duração da bateria, brilho da tela e qualidade da câmera.

Em vez disso, tento pensar de forma mais ampla sobre os temas relacionados a uma nova tecnologia e se ela resolve problemas do mundo real.

Avaliei, por exemplo, o mais recente telefone Google Pixel 11, que trazia novos recursos de inteligência artificial capazes de pedir mantimentos, chamar carros e reservar mesas em restaurantes para o usuário. Eu me perguntei: as pessoas realmente querem uma IA que use seus celulares por elas?

Concentrei a avaliação nesse tema porque queria entender se a chamada IA agêntica realmente vai conduzir o futuro da computação pessoal ou se algumas dessas novas ferramentas são apenas truques.

Caitlin McGarry: As pessoas procuram o Wirecutter para receber recomendações, então nosso objetivo é avaliar como é, de fato, conviver com os produtos.

Nossos leitores têm curiosidade sobre as tecnologias mais recentes, mas estão mais interessados em comprar o melhor produto possível, que dure o maior tempo e não custe uma fortuna.

Criamos uma lista de critérios para avaliar cada categoria de produto e então procuramos testar todos os produtos que valham a pena para descobrir qual é o melhor para a maioria das pessoas e, muitas vezes, qual é o mais adequado para um determinado usuário ou situação.

A Apple e outras empresas de tecnologia protegem seus produtos antes de chegarem ao mercado. Como funciona esse acesso? Os jornalistas ficam com os produtos que avaliam?

Brian X. Chen: Não é segredo que algumas empresas de tecnologia podem priorizar o acesso antecipado a jornalistas que acreditam que farão uma cobertura favorável.

Com algumas empresas cujos produtos avaliei positivamente —porque achei que o produto era simplesmente bom—, não é difícil continuar tendo acesso. Mas, com outras, cujos produtos avaliei negativamente, meu acesso foi negado.

Meu objetivo é atender ao leitor e dizer se determinada tecnologia merece ou não sua consideração. Portanto, se uma empresa me nega acesso, simplesmente compro o produto e faço o teste.

Quando uma empresa fornece acesso, testo um aparelho emprestado e o devolvo quando termino. No caso dos iPhones, normalmente os envio de volta à Apple cerca de um mês depois da publicação.

Caitlin McGarry: Assim como Brian, os jornalistas do Wirecutter avaliam os produtos independentemente de a empresa nos dar acesso a eles. Se não der, nós compramos. Se der, normalmente recebemos os aparelhos antes de chegarem às lojas e temos algum tempo para usá-los no mundo real antes de publicar a avaliação.

Reavaliamos os aparelhos ao longo do tempo e procuramos fazer comparações abrangentes entre eles para determinar qual é o melhor. Por isso, nosso período de testes é relativamente longo em comparação com o de outros veículos.

Devolvemos as unidades de avaliação quando terminamos os testes e doamos os aparelhos que não precisamos mais para testar, de acordo com a política de ética do Wirecutter.

Como funciona o processo editorial de vocês para as avaliações de tecnologia?

Brian X. Chen: Sempre que testo um produto, procuro me colocar no lugar de alguém que não trabalha no Vale do Silício —meus parentes, minha babá, a professora da pré-escola do meu filho— e tento pensar, de uma perspectiva mais próxima da realidade, no que importa para as pessoas e se o novo aparelho será útil para elas.

A maioria das pessoas simplesmente quer alimentar suas famílias, cuidar da saúde, tirar boas fotos e fazer seu trabalho.

Caitlin McGarry: O Wirecutter tem uma equipe inteira de repórteres especializados em tecnologia para consumidores, e nosso processo de avaliação varia de acordo com o que estamos testando.

Quando avaliamos produtos como roteadores, laptops e monitores, submetemos os aparelhos a um processo intenso de testes de desempenho para obter medidas objetivas. Depois, usamos esses produtos no dia a dia para descobrir quais recursos melhoram a qualidade de vida e quais são simplesmente irritantes —uma falha clássica, mas que não chega a ser um impeditivo para a compra.

Os jornalistas do Wirecutter têm controle editorial total sobre o que testar e quais produtos recomendar. Não temos acesso a decisões sobre questões como links de afiliados, que ficam sob responsabilidade do departamento comercial. A redação do Wirecutter opera de forma independente da área de receita.

Brenda Stolyar: Como Caitlin disse, convivemos com esses produtos. No caso dos smartphones, por exemplo, uso cada aparelho de avaliação como meu dispositivo principal, reproduzindo os mesmos hábitos e o mesmo uso que teria com meu aparelho habitual —uso redes sociais e aplicativos de transporte, faço ligações e envio mensagens, tiro e edito fotos, entre outras coisas.

Isso me dá uma visão mais realista do hardware, com base no conforto de uso e de transporte, além de permitir avaliar seu desempenho e a duração da bateria.

O que mais os leitores precisam saber sobre como é avaliado um produto novo e chamativo?

Brian X. Chen: Como o jornal é independente e é financiado principalmente pelos assinantes, estamos aqui para servi-los —não para promover toda novidade que aparece.

É em grande parte por isso que vocês verão conselhos diretos meus, como a recomendação de que, em vez de comprar o celular novo deste ano, provavelmente ficariam satisfeitos com uma versão recondicionada do aparelho do ano passado e economizariam um bom dinheiro, especialmente com a escassez de chips provocada pela IA elevando o preço de tudo.


Megan DiTrolio
, Brenda Stolyar
, Brian X. Chen
e Caitlin McGarry

Autor: Folha

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