
Mais de 30 agentes e funcionários de órgãos do regime comunista da China invadiram e interromperam um culto de uma igreja cristã em Xangai e detiveram a líder da congregação. A operação ocorreu em 30 de agosto na Jie’en Church, no distrito de Hongkou, segundo informações divulgadas pela organização de defesa da liberdade religiosa ChinaAid.
Policiais, funcionários do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos do distrito, representantes da administração local e agentes de segurança entraram no local por volta das 8h, enquanto os fiéis estavam reunidos. A igreja funcionava no sétimo andar de um edifício na região central de Xangai.
De acordo com a organização, os agentes registraram os dados de identificação dos cristãos que participavam do culto e, em seguida, determinaram que todos deixassem o local. A líder da congregação, Hu Yile, foi levada pela polícia e submetida a sete dias de detenção administrativa.
Hu era casada com Xu Guoxing, conhecido pela atuação na formação de igrejas cristãs independentes em Xangai. Xu morreu em junho de 2025, aos 70 anos. Segundo a ChinaAid, ele passou cerca de oito a nove anos preso ao longo da vida devido à participação em atividades religiosas que não estavam submetidas às estruturas reconhecidas pelo governo chinês.
A Jie’en Church integra o grupo das chamadas “igrejas domésticas”, congregações protestantes que funcionam fora das organizações religiosas autorizadas e supervisionadas pelo Estado da China. A legislação chinesa determina o registro de igrejas e estabelece uma ampla estrutura de fiscalização das atividades religiosas no país. As próprias normas do regime afirmam que as religiões devem colocar em prática os “valores socialistas fundamentais” e se “adaptar à sociedade socialista”.
A ofensiva contra a Jie’en Church ocorreu em meio a outros episódios recentes envolvendo cristãos independentes. Em agosto, a polícia de Xangai também deteve o pastor David Tang e outros seis cristãos durante uma operação realizada fora da cidade. A ChinaAid afirmou inicialmente que as autoridades não informaram onde o grupo havia sido mantido.
A Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), órgão bipartidário criado pelo Congresso americano, afirmou neste ano que o Partido Comunista Chinês (PCCh) intensificou sob o comando do ditador Xi Jinping as restrições à liberdade religiosa e ampliou a política de “sinização” das religiões, pela qual organizações e práticas religiosas são pressionadas a se alinhar às diretrizes políticas e ideológicas do regime.
A USCIRF recomendou ao governo americano que a China continue classificada como “país de preocupação particular” pelas violações consideradas sistemáticas, contínuas e graves da liberdade religiosa. O órgão cita entre os grupos atingidos cristãos de igrejas domésticas, católicos não submetidos às estruturas oficiais, muçulmanos uigures e budistas tibetanos.
Até o fechamento desta matéria, autoridades do distrito de Hongkou não haviam apresentado publicamente uma explicação para a operação contra a Jie’en Church nem para a detenção de Hu Yile.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












