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Vermute será tema de festival em São Paulo – 17/09/2026 – Bares e noite


São Paulo


O vermute está deixando de ser mero coadjuvante na coquetelaria brasileira graças a bares dedicados à bebida, rótulos nacionais e um encontro de produtores da América Latina, que ocorre neste domingo (20) em São Paulo.

De origem europeia, o vermute é um vinho fortificado com álcool e aromatizado com especiarias, sendo a artemísia a principal delas. Ele serve de base para muitos coquetéis clássicos, como dry martíni, negroni, Manhattan e o brasileiro rabo de galo.

Três copos baixos alinhados sobre uma superfície escura, cada um contendo um drink diferente. O copo da esquerda tem líquido vermelho escuro com uma fatia de fruta e uma azeitona no topo. O copo do meio contém líquido claro com uma fatia de limão e uma azeitona. O copo da direita apresenta líquido vermelho com uma fatia de fruta e uma azeitona no topo. Fundo desfocado em tom marrom.

Vermutes servidos do Trinca Bar & Vermuteria, localizado no bairro de Pinheiros


Adriano Vizoni/Folhapress

Entre as marcas mais famosas da bebida estão representantes como Cinzano, Martini e Carpano, todas italianas.

“No Brasil, nosso único elo histórico de contato com o vermute foi o boteco. As pessoas mais antigas tomavam Martini Bianco puro com gelo, no balcão, sem nem saber que Martini e Cinzano são vermutes”, diz Renato Chiapetta, fundador da destilaria San Basile.

Neste momento de descoberta no Brasil, partidários do vermute buscam introduzir sabores locais à bebida e o hábito de tomá-la pura. Leonardo Andrade, cofundador da Cia. dos Fermentados, usa a analogia do sanduíche para explicar a composição do vermute.

“Ele tem que ter uma base vínica, que é o pão de baixo. No meio, você encontra o recheio: floral, frutado ou herbal, definido pela composição dos botânicos. Finaliza colocando açúcar, bastante ou pouco, que seria esse pão de cima. Você aperta tudo e tem essa bebida composta.”

As principais categorias de vermute são rosso, branco e seco. “O rosso é doce, com algumas notas que podem ser mais herbais e um pouquinho amargas. O branco é mais doce na maioria das vezes. E o seco tem a menor taxa de açúcar, com notas mais florais”, afirma Alê Bussab, que em 2022 cofundou o bar Trinca, em Pinheiros, a primeira vermuteria do Brasil.

Lá e em espaços como o Lita Wine Bar, no mesmo bairro, e a Casa Tão Longe, Tão Perto, na Barra Funda, a bebida é servida também direto de torneiras.

Na Europa mediterrânea, região que foi berço do vermute, o consumo se concentra na Espanha, na Itália e na França.

“A Espanha é o maior consumidor de vermute do mundo. Lá, costuma ser mais adocicado e tomado puro. Os italianos usam muito como digestivo e aperitivo. Os franceses, mais em coquetéis”, conta Bussab.

Nos últimos anos, a América Latina vem testemunhando um boom de produtores artesanais, que se encontram neste domingo (20) em São Paulo, na terceira edição do Sur Vermut.

No evento que acontece no bar HiFi Community, na Vila Leopoldina, o público poderá degustar vermutes de 14 marcas vindas de países como Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Também poderá participar de workshops e oficinas.

“O fato de o Brasil ter uma história a ser escrita sobre o vermute é ótimo para as marcas e produtores, pois há muito a ser feito”, diz Chiapetta, que é coprodutor do encontro no Brasil.

O vermute surgiu na Europa como uma forma de reciclar ou conservar o vinho. Na América Latina, a produção já nasceu com receitas pensadas desde a origem para ser vermute, usando vinhos de boa qualidade como base.

“Nós fazemos uma composição de botânicos que faz mais sentido para a nossa realidade brasileira do que reproduzir um estilo francês ou espanhol com especiarias como artemísia, cravo, canela e cardamomo”, diz Andrade.

Duas pessoas seguram quatro garrafas de bebidas artesanais alinhadas sobre uma mesa de madeira. À frente, quatro copos com gelo estão dispostos em uma tábua de madeira. As garrafas têm rótulos coloridos e ilustrados, com nomes como Ameishu e Vermu.

Rótulos de vermute produzidos de maneira artesanal na Companhia dos Fermentados e servidos puro ou em drinques no Fermenta Loja e Bar


Leo Andrade/Divulgação

“Aplicamos essa técnica em bases fermentadas de frutas brasileiras, como jabuticaba e caju.”

Para o cofundador da Cia. dos Fermentados, o evento é uma oportunidade de incentivar os produtores brasileiros a criar uma identidade própria com os ingredientes de suas regiões.

As duas primeiras edições do Sur Vermut aconteceram no Uruguai, país que tem bastante tradição com a bebida, apesar de uma população pequena. “Resolvemos trazer o festival para o Brasil porque é um país com potencial de consumo infinitamente maior e que está precisando tomar um banho de cultura vermuteira”, afirma Chiapetta.

Sur Vermut – Edição Brasil
Hifi Community – R. Mergenthaler, 1.177, Vila Leopoldina, região oeste. Dom. (20), a partir das 12h30. Ingr.: R$ 50 em Sympla

Autor: Folha

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