
A Interpol anunciou nesta sexta-feira (18) que utilizou inteligência artificial (IA) em uma operação internacional que permitiu identificar 126 suspeitos de atuar como terroristas. A ação analisou mais de 108 mil imagens retiradas de conteúdos publicados por grupos extremistas jihadistas na internet.
Batizada de Operação Shams II, a iniciativa reuniu policiais e especialistas de 11 países e foi realizada entre os dias 1º e 5 de junho, em Túnis, capital da Tunísia. Os resultados foram divulgados agora pela organização internacional de polícia. Durante os cinco dias de trabalho, investigadores extraíram 108.076 imagens faciais de vídeos, fotografias e outros materiais divulgados por grupos jihadistas.
Agentes de IA e programas desenvolvidos com auxílio de ferramenta foram usados para eliminar imagens repetidas e avaliar a qualidade do material. O processo reduziu o conjunto inicial para 6.362 fotografias únicas e consideradas adequadas para análise biométrica.
Essas imagens foram então submetidas ao sistema de reconhecimento facial da própria Interpol e comparadas com informações disponíveis nas bases de dados policiais.
A organização destacou que os resultados produzidos com auxílio da inteligência artificial não foram aceitos automaticamente. Policiais e analistas treinados revisaram e verificaram as correspondências antes que as informações fossem incorporadas às investigações.
Até agora, o procedimento permitiu identificar 126 pessoas classificadas pela Interpol como terroristas estrangeiros. Segundo a organização, as correspondências podem ajudar autoridades a determinar possíveis localizações dos suspeitos, suas redes de contato e deslocamentos entre países.
Milhares de outras imagens ainda aguardam processamento, o que significa que o número de identificações pode aumentar. Informações produzidas durante a operação já estão sendo usadas em procedimentos judiciais nos países participantes, inclusive em um caso envolvendo dois suspeitos que se encontram detidos.
A operação mobilizou 28 policiais e especialistas de Costa do Marfim, Gana, Iraque, Quênia, Malásia, Nigéria, Filipinas, Catar, Tajiquistão, Tunísia e Uzbequistão. Autoridades iraquianas também forneceram centenas de imagens relacionadas a suspeitos de terrorismo para ampliar as comparações.
Operação também rastreou financiamento de terroristas
O reconhecimento facial foi apenas uma das frentes da Shams II. Investigadores também utilizaram ferramentas especializadas para rastrear transações com criptomoedas relacionadas a possíveis redes de financiamento terrorista.
Segundo a Interpol, a análise levou à emissão de três pedidos urgentes a um prestador de serviços de ativos virtuais para obter dados de clientes e tentar interromper fluxos financeiros suspeitos.
Os investigadores também se reuniram com representantes da indústria de jogos on-line para discutir o uso dessas plataformas em processos de radicalização de jovens e formas de melhorar o compartilhamento de informações com autoridades.
A diretora de Contraterrorismo da Interpol, María Carmen Muñoz González, afirmou que a operação demonstrou o potencial de combinar cooperação policial internacional com ferramentas de análise auxiliadas por inteligência artificial.
A Shams II integra o projeto CT TECH+, financiado pelos instrumentos de política externa da União Europeia e apoiado pelo Escritório das Nações Unidas de Contraterrorismo.
Autor: Gazeta do Povo








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