
A Itália reforçou nesta sexta-feira (18) sua presença militar no Estreito de Bab el-Mandeb, que também é uma das principais rotas do petróleo e do comércio mundial, diante do avanço dos houthis no Iêmen e do aumento das ameaças à navegação no Mar Vermelho. A movimentação ocorre no momento em que o Oriente Médio passa a enfrentar pressão simultânea sobre as duas passagens marítimas essenciais para o abastecimento global de energia, uma vez que o Irã está bloqueando a navegação livre pelo Ormuz.
O Estreito de Ormuz funciona como a principal porta de saída do Golfo Pérsico, por onde escoam grandes volumes de energia produzidos por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e o próprio Irã. Já o Bab el-Mandeb ocupa uma posição diferente. Ele conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e, adiante, ao Canal de Suez, formando uma das principais ligações marítimas entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa.
Por Bab el-Mandeb passa cerca de 7% da produção mundial de petróleo. A rota também é particularmente importante para a Itália: aproximadamente 40% do comércio exterior do país passa pelo Canal de Suez e depende, portanto, do acesso ao Mar Vermelho pelo estreito.
A pressão sobre essa segunda passagem aumentou com os avanços recentes dos houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, em áreas da costa do Mar Vermelho próximas ao estreito. O fortalecimento do grupo na região ampliou os temores de novos ataques contra navios comerciais e de uma eventual interrupção do tráfego marítimo.
É nesse cenário que a fragata italiana Carlo Bergamini passou a atuar diretamente na proteção de embarcações comerciais na rota. Nesta sexta, o navio de guerra escoltou o cargueiro italiano Jolly Oro, da companhia Ignazio Messina & C., durante sua passagem em direção ao norte por Bab el-Mandeb. Segundo a Marinha italiana, somente essa operação de escolta deverá durar cerca de dois dias.
A Bergamini integra a Operação Aspides, missão naval criada pela União Europeia em 2024 para proteger a navegação comercial no Mar Vermelho e áreas próximas diante dos ataques dos houthis.
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que Roma está disposta a ampliar a presença militar caso a segurança da navegação continue se deteriorando. O governo italiano se declarou pronto para enviar uma segunda fragata à região e pediu que outros países da União Europeia também disponibilizem navios para reforçar a operação.
Crosetto chegou a afirmar que a Itália não pretende ficar esperando uma resposta mais ampla da União Europeia caso seus navios comerciais sejam ameaçados. Segundo ele, Roma está preparada para agir para garantir a passagem de embarcações italianas pelo estreito.
O ministro também alertou que uma interrupção prolongada de Bab el-Mandeb teria consequências diretas para a economia europeia, com aumento dos custos de transporte, atrasos nas entregas e encarecimento de produtos. Navios obrigados a evitar o Mar Vermelho precisam contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando significativamente a distância e o tempo das viagens entre Ásia e Europa.
A nova preocupação com Bab el-Mandeb ocorre justamente quando Ormuz também registra forte queda na circulação de embarcações. A pressão simultânea sobre os dois estreitos amplia o risco para o comércio de energia porque atinge, de um lado, a saída do petróleo e do gás do Golfo Pérsico e, do outro, uma das principais rotas usadas para levar cargas do Oriente Médio e da Ásia em direção ao Mediterrâneo e à Europa.
Autor: Gazeta do Povo








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