O Rio Grande do Sul entra na reta final para o primeiro turno das eleições, no domingo (4), em plena crise climática. Os temporais que atingem o estado em setembro já causaram destruição em centenas de municípios — as chuvas têm sido especialmente intensas desde a semana passada, com tempestades com granizo de grandes dimensões.
Até o início da tarde da segunda-feira (28), a Defesa Civil estadual contava com 47 cidades afetadas, quatro pessoas feridas e mais de 31,2 mil impactadas pelas chuvas, vendavais e quedas de granizo desde sexta-feira (25). Desde o último dia 18, segundo a Defesa Civil, foram registradas 173 ocorrências em 167 municípios. Pelo menos quatro mortos estão confirmados.
A Defesa Civil de Porto Alegre encaminhou ofício ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedindo que peças de comunicação visual dos candidatos (os “wind banners”) sejam evitados até pelo menos esta terça-feira (29) na cidade — o pedido foi aceito por causa da previsão de chuva forte e ventos de até 70 km/h, que podem causar acidentes.
A crise provocada pelo clima extremo no estado deve se prolongar por pelo menos parte desta semana, que já começou com previsão de instabilidade em diferentes regiões. A Defesa Civil do estado apontou áreas com risco severo para chuva intensa e volumosa, além de riscos de tempestades com queda de mais granizo e rajadas de vento. Nesta terça-feira, a formação e o desenvolvimento de um ciclone associado a uma frente fria devem manter a atmosfera instável.
Quem desse uma passada no perfil das redes sociais dos dois principais candidatos a governador do Rio Grande do Sul no último domingo, no entanto, não encontrava uma única menção “fresca” aos temporais e suas consequências para os gaúchos. Até a noite de segunda-feira, nem Juliana Brizola (PDT) nem o deputado federal Zucco (PL) tinham falado algo sobre a crise em vários dias, e dedicavam suas postagens de campanha a outros assuntos.
Os dois são candidatos ao governo do Rio Grande do Sul tecnicamente empatados na dianteira para a votação de domingo, de acordo com as últimas sondagens de intenção de voto. No Instagram, a última postagem do candidato do PL sobre o tema foi em 21 de setembro, há mais de uma semana.
“Mais um temporal com estragos e feridos no Rio Grande do Sul. Suspendi os atos de campanha nesta segunda para colocar minha equipe à disposição dos municípios de áreas atingidas. Força Rio Grande!”, escreveu ele. De lá para cá a situação se agravou, mas o tema não voltou a ser abordado nas manifestações públicas feitas no ambiente online.
Quem segue a candidata do PDT também não tem visto menção ao tema. Na segunda-feira, sua última postagem sobre os temporais era de quatro dias antes. “Depois de 2024, o gaúcho olha para o céu e sente medo, precisamos de monitoramento e alertas seguros, com protocolos claros e diferentes para cada região do estado. Também precisamos de transparência na aplicação ágil dos recursos da reconstrução. Prevenir, planejar e reconstruir com transparência. É assim que se protege o nosso povo”, afirmou a candidata da esquerda.
A pauta climática ganhou grande destaque entre os gaúchos em 2024, quando o estado enfrentou enchentes causadas por fortes chuvas, que causaram o transbordamento das bacias dos rios Caí, Gravataí, Jacuí, Pardo, Sinos e Taquari, além do Lago Guaíba e da Lagoa dos Patos. A água invadiu diversos municípios por semanas seguidas, incluindo a capital Porto Alegre.
As propostas de Zucco e Juliana Brizola para enfrentamento a eventos climáticos
Nos planos de governo, os dois principais candidatos ao governo gaúcho são econômicos sobre a crise do clima em um dos estados que mais tem sofrido com isso no Brasil nos últimos anos. Zucco e Juliana Brizola fazem apontamentos de soluções genéricas, sem detalhamento de cronograma ou custo.
O plano de governo de Luciano Zucco propõe uma mudança de foco da resposta emergencial para uma política permanente de prevenção. O documento afirma que o estado precisa “substituir uma cultura de uma cultura de resposta emergencial por uma política permanente de prevenção e gestão de riscos”. As principais propostas do candidato do PL ao tema incluem:
- fortalecimento da Defesa Civil com ampliação da estrutura técnica, das equipes, dos equipamentos e da capacidade permanente de resposta;
- uma rede de monitoramento com conclusão e integração de radares, estações hidrológicas e meteorológicas, sensores geotécnicos e outros sistemas de observação;
- previsão de impactos com transformação de dados meteorológicos, hidrológicos e geológicos em previsões territorializadas para antecipar evacuações, bloqueios e mobilizações;
- alertas à população com integração de SMS, cell broadcast, sirenes, aplicativos, rádio, televisão e redes sociais para emitir avisos geograficamente precisos.
O documento de Zucco contempla ainda itens como planos de contingência com atualização periódica de planos estaduais, regionais e municipais, incluindo rotas de evacuação, áreas de abrigo e protocolos de emergência; mapeamento de riscos com atualização de mapas de inundação, enxurrada, deslizamento, estiagem e incêndio; obras de prevenção com a definição de uma carteira estadual de obras prioritárias de proteção contra cheias, drenagem, contenção e estabilização; estruturas de proteção com inventário e manutenção permanente de diques, casas de bombas, canais, comportas, reservatórios e outras estruturas críticas; e serviços essenciais com criação de planos de continuidade para água, energia, saúde, educação, telecomunicações e transportes durante eventos extremos.
Por sua vez, o plano de governo de Juliana Brizola também propõe uma mudança do modelo de resposta para uma política de prevenção. A proposta é criar uma gestão preditiva de riscos climáticos, baseada em ciência, monitoramento permanente e integração entre instituições. Entre as medidas previstas estão:
- a criação de um Sistema Integrado de Alerta Precoce com implantação do sistema para as bacias consideradas críticas, com monitoramento dos rios e eventos extremos;
- uma Defesa Civil mais técnica com profissionalização do quadro com meteorologistas, geólogos, oceanógrafos, engenheiros e outros especialistas;
- apoio aos 497 municípios na elaboração e atualização de planos de contingência e evacuação, além da realização de simulados;
- criação de uma rede gaúcha de pesquisa sobre eventos extremos, articulada pela Fapergs e universidades;
- fortalecimento dos Comitês de Bacia e ampliação da rede telemétrica de monitoramento de secas e cheias;
- financiamento de cisternas, microaçudes e pequenas barragens, especialmente para a agricultura familiar;
- apoio a parques lineares, bacias de retenção, jardins de chuva, pisos permeáveis e outras soluções de infraestrutura verde;
- e reconstrução e novas obras com critérios de engenharia voltados à adaptação e à resiliência climática.
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Zucco está com 41% das intenções de voto, enquanto Juliana Brizola tem 36%, conforme pesquisa eleitoral divulgada pelo instituto Real Time Big Data nesta terça-feira (29). O candidato Gabriel Souza (MDB) está na terceira colocação, com 20%.
A pesquisa simulou ainda três confrontos diretos de segundo turno para o governo gaúcho: Zucco venceria Brizola. Contra Souza, a disputa ficaria empatada tecnicamente, tanto no cenário com o nome de Zucco quanto na simulação com Brizola.
- Metodologia da pesquisa citada: 1.600 entrevistados pelo Real Time Big Data de 24 a 28 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Rede Record de Televisão. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RS-05412/2026.
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Autor: Gazeta do Povo








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