quarta-feira, setembro 30, 2026
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MPF volta a pedir suspensão de perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) voltou a recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) contra a licença ambiental que autorizou a Petrobras a perfurar o bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A apelação, protocolada nesta segunda-feira (28), contesta uma sentença de agosto do juiz Anselmo Gonçalves da Silva, da 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amapá, e pede novamente a suspensão imediata das atividades.

O MPF argumenta que a sentença ignorou riscos ambientais e descumpriu compromissos assumidos pelo Brasil perante a comunidade internacional em matéria de clima e direitos humanos.

Há ainda uma questão de jurisdição: o julgamento, para o órgão, deveria ocorrer na Justiça Federal do Pará, e não do Amapá. O caso mudou de estado após ser reconhecida a conexão com outra ação em trâmite, também sobre a Foz do Amazonas.

Os procuradores ainda apontam para uma súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que fixa que “a inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação ambiental”. Em outras palavras, não caberia a quem propôs a ação comprovar os danos, mas à parte contrária demonstrar que sua atividade não lesa o meio ambiente. Alegam ainda que a sentença foi proferida antes de os autores terem oportunidade de se manifestar sobre contestações, petições e documentos novos apresentados pelo Ibama, pela União, pela Petrobras e pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). Para o MPF, isso configuraria uma “decisão surpresa” e violaria o direito ao contraditório.