quinta-feira, outubro 1, 2026
20.5 C
Pinhais

Entrada de cooperativas pode dar salto ao setor de seguros

Seguro faz parte da vida do brasileiro, mas ainda está longe de proteger a maioria da população. Apenas cerca de 30% da frota de veículos, por exemplo, tem cobertura. É mirando esse déficit de proteção patrimonial que as cooperativas começam a abrir caminho, depois de mais de uma década de discussões para que pudessem atuar diretamente no setor.

A mudança ganhou forma em maio, quando entrou em vigor a regulamentação que permite a constituição e o funcionamento de cooperativas de seguros. Desde então, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), responsável por regular e fiscalizar o mercado, já recebeu os primeiros interessados em apresentar seus projetos. Antes de vender a primeira apólice, contudo, há um longo caminho. Essas cooperativas terão de obter autorização, constituir estrutura própria e demonstrar que têm condições de assumir e administrar os riscos da operação.

Entre a apresentação do projeto, entrevista, processamento do pedido, autorização e homologação para funcionamento, ainda pode demorar um ano. Pelas regras, cada uma das duas etapas (autorização e homologação) tem prazo máximo de 120 dias. Entre uma e outra, a cooperativa ainda tem até 90 dias para realizar os atos societários e outros 30 dias para pedir a homologação.

Segurado e cooperado ao mesmo tempo

Hoje, no Brasil, cooperativas de crédito já vendem seguros aos associados, mas os produtos são de seguradoras parceiras, que assumem o risco e respondem por uma eventual indenização. “Elas atuam como balcão, não como indústria”, resume Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB. Com o marco legal do setor, os participantes vão atuar simultaneamente como segurados e cooperados, compartilhando os resultados da operação.