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Arthur Paek lança livro de receitas coreanas – 01/10/2026 – Comida

Enquanto crescia, o influencer Arthur Paek, 25, achava normal misturar kimchi, a conserva que virou símbolo da cozinha coreana, no arroz com feijão e até no estrogonofe. A influência do país asiático, de onde veio sua família, convivia sem grandes conflitos com a língua, o jeito e os amigos brasileiros.

“Olhando agora em retrospecto, é interessante pensar que realmente foi essa a proposta, talvez até indireta, dos meus pais de quererem preservar nossa cultura, né?”, afirma Paek.

Algumas dessas histórias e das receitas da família, passadas entre gerações, estão em “Arthur Paek: Comida Coreana” (104 págs., R$ 110, ed. Senac São Paulo), lançado na Bienal do Livro. Paek, que soma 6,6 milhões de seguidores no Instagram e 4,9 milhões no TikTok, é conhecido por vídeos de receitas ritmados e cheios de movimento, feitos ao lado de celebridades. Há preparos com o chef Alex Atala, o humorista Fábio Porchat, as cantoras Pabllo Vittar e Ivete Sangalo e os atores Cauã Reymond e Maisa.

Nas páginas iniciais da publicação, sua mãe, Regina, fala sobre o esforço de manter as tradições desde que ela mesma chegou ao Brasil em 1976, aos nove anos, para viver no Bom Retiro —em um lar que só se falava coreano, como decidiram seus pais.

Sem a possibilidade de encontrar, àquela época, ingredientes típicos em mercados para preparar pratos tradicionais, sua família criava processos próprios para produzir diferentes ingredientes, mesmo caminho seguido por muitas colônias de imigrantes.

Um dos exemplos é o gochugaru, a pimenta em flocos usada como base do kimchi, que aqui passou a ser produzida com variedades brasileiras ou pimentão. Para Regina, o empenho se justificava: era uma maneira de ser brasileira sem deixar de ser coreana.

Foi ela também uma das grandes incentivadoras do filho na intenção de seguir a carreira como influencer. Comprava ingredientes na mercearia coreana e muitas vezes o ajudava a filmar.

Arthur, que começou a gravar conteúdo durante a pandemia, tentou conciliar a vida dupla com o curso de administração, de jornada integral, que iniciou em 2022. Mas a produção, feita em um iPhone antigo que ele já não se lembra de onde surgiu, por vezes se estendia até a madrugada.

“Fui reparando, ao longo do caminho, que também tenho uma grande paixão pelo audiovisual, pela edição, pelo roteiro, por tudo isso”, diz ele. Hoje, ele está em sua quinta câmera e reformou o apartamento para se transformar em estúdio. Um carrinho com telas e suportes para câmeras fica estacionado na cozinha.

Quem vê a pose de galã nas telas não supõe que Paek é centrado, quase tímido, ao falar sobre seu trabalho. No processo, ele tem ajuda de duas assistentes, mas é responsável por toda edição dos vídeos —cada um leva cerca de três dias para ficar pronto.

No processo, Paek faz primeiro o teste da receita, então grava o passo a passo separadamente e, depois, o filma novamente com a presença do convidado da vez. Por fim, entra o processo de edição, que pode durar até oito horas. “A última fase demora porque é o trabalho de encaixar os takes com efeitos sonoros, que faz o estilo de vídeo ritmado, com as batidas da música. Às vezes até pego a trilha antes e estudo para entender o BPM (batidas por minuto).”

Um dos primeiros convidados com bagagem gastronômica foi o apresentador Rodrigo Hilbert, com quem preparou o japchae (macarrão de batata-doce), que rendeu mais de 2 milhões de likes no Instagram. “Coloquei uma música coreana. O Rodrigo é bonito, né, então agrega nesse sentido pro vídeo. Ele cozinha muito bem, é uma pessoa que admiro”.

Começou, então, a gravar com cantores, comediantes, atores e chefs —a ponto de seu bordão “vamos fazer um (…)” ser replicado pela internet por profissionais como advogados e médicos. Paek acha que começou a trajetória em um momento estratégico, depois do sucesso de bandas de k-pop e de produções de k-drama. “A música você ouve, a novela você absorve a forma como os coreanos vivem. E, a partir disso, desperta a curiosidade para ter a experiência da comida. Porque ela é realmente muito boa. Só falta a oportunidade das pessoas provarem.”

Arthur Paek: Comida Coreana

Preço: R$ 110

Autoria: Arthur Paek

Editora: Senac

Onde comprar: site da editora Senac

Autor: Folha

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