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Famosos do futebol, como Luxemburgo, fracassam na eleição – 05/10/2026 – O Mundo É uma Bola

“Futebol e política não se misturam” é uma frase conhecida de autoria desconhecida. Sabe-se que ela não corresponde à realidade, já que a política aparece e interfere com certa frequência no esporte.

Vide a ação de Donald Trump, o presidente dos EUA, na Copa do Mundo deste ano, ao fazer contato com a Fifa para que cuidasse do caso de Balogun, atacante da seleção norte-americana que tinha sido expulso –após a intervenção, revogou-se a suspensão automática. A própria entidade máxima do futebol, que veta atitudes políticas de forma geral, descumpriu o que prega.

No começo da década de 1980, foi célebre o movimento Democracia Corinthiana, liderado por Sócrates, Vladimir, Casagrande e outros jogadores, que levou o voto a decisões do dia a dia do clube e atuou pelas eleições diretas no Brasil.

No entanto, neste momento, em tempo de pleitos no país, a população, que pode votar livremente há quase quatro décadas, bancou a sentença. Pessoas conhecidas por sua ligação com o futebol receberam votos insuficientes para obter uma cadeira no mandato 2027-2030.

O personagem mais famoso a naufragar nas urnas é Vanderlei Luxemburgo, 74.

Treinador que mais títulos faturou no Campeonato Brasileiro (cinco, por quatro clubes diferentes: Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro e Santos) e chegou à seleção brasileira no fim dos anos 1990 (ganhou uma Copa América), Luxa concorreu a um lugar no Senado pelo Tocantins.

Nascido no RJ, ele decidiu se candidatar no estado em que tem residência e negócios. É filiado ao Podemos, de direita. Com 67.987 votos, ficou em sétimo lugar, muito distante de chegar ao objetivo de fincar raízes no Congresso Nacional. Os eleitos no estado tiveram mais de 450 mil votos e mais de 316 mil votos, respectivamente.

Na campanha, de acordo com dados da Justiça Eleitoral, gastou R$ 744.751, verba oriunda de fundos (partidário e especial).

Outros conhecidos que fracassaram, com ligação direta com grandes clubes paulistas, foram Marcelinho Cariosa, 54, ídolo do Corinthians, e Luis Fabiano, artilheiro do São Paulo, 45.

Luis Fabiano, chamado de Fabuloso, concorreu pelo MDB, sigla de centro, a deputado federal por SP. Captou 9.613 votos. A candidata com menor votação a se eleger foi Sônia Guajajara, do PSOL, com 54.207.

Marcelinho, conhecido como Pé de Anjo devido aos chutes certeiros (especialmente em cobranças de falta) vindos de uma chuteira número 36, tentou a sorte no Distrito Federal, onde tem residência e criou vínculo ao jogar (pelo Brasiliense) e estudar em uma universidade.

Obteve, pelo Republicanos (legenda de direita), 2.494 votos para deputado distrital, muito aquém do necessário. Daisy Amarilio (PSB), que ficou com a 24ª e última vaga, somou 15.440.

Restou como prêmio de consolação, para ambos, a posição de suplente. Para quem foi titular a vida toda, não deve ser agradável amargar a reserva.

Os gastos de campanha de Luis Fabiano e Marcelinho Carioca foram, respectivamente, de R$ 633,5 mil e de R$ 463 mil.

Também concorreram neste pleito, sem êxito, Edmundo, apelidado Animal, reserva na seleção brasileira na Copa de 1998 (PSDB, deputado federal no RJ, 35.725 votos), Donizete Pantera (PL, deputado estadual no RJ, 4.884 votos) e Washington Coração Valente (MDB, deputado federal no DF, 7.503 votos), entre outros ex-futebolistas, como Dine da Fiel, Goleiro Sérgio e Finazzi –este último, quase inexpressivo, teve pouco mais de mil votos.

Assim, entre nomes destacados, o futebol continua representado no Congresso por Romário, 60, o Baixinho (sem partido-RJ), ícone do Vasco da Gama, no meio de seu mandato de senador, e por Danrlei (PSD-RS), 53, ex-goleiro do Grêmio, reeleito para a Câmara com 105.079 votos.

Vale menção a Bobô (Raimundo Nonato Tavares da Silva), 63, meia campeão brasileiro pelo Bahia em 1988 e que passou pelo São Paulo e pela seleção brasileira, reeleito deputado estadual na Bahia pelo PCdoB (70.898 votos).

Conclusão: futebol e política, no Brasil, tentam se misturar nas eleições, porém são quase água e óleo, em combinação que impede, por muito, a formação de bancadas da bola nas casas legislativas.

Autor: Folha

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