A presidente do Palmeiras classificou como “muito abrupta” a proibição das Bets por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Lula (PT). Em entrevista ao Ge TV, Leila Pereira afirmou que não haverá perdas imediatas ao clube, uma vez que já recebeu os valores previstos para o país. Disse, no entanto, que espera uma solução para o cumprimento dos contratos de patrocínio e falou em credibilidade.
“Foi uma decisão muito abrupta do governo, nós tínhamos contratos em andamento. Pegou todos os clubes de surpresa, é um valor extremamente significativo. Não deixamos de receber porque esse ano já tinha sido pago. Mas acho que vai ter solução nos próximos dias. Os contratos precisam ser cumpridos, até por uma questão de credibilidade para o nosso país”, afirmou.
A menção a credibilidade vai no mesmo sentido de críticas de outros clubes e entidades liberais. O argumento é de que a proibição repentina de um mercado regulado gera insegurança jurídica, uma vez que o Brasil rompe um compromisso assumido com o setor.
O Palmeiras possui um contrato até dezembro de 2027 com a Sportingbet que torna a plataforma a patrocinadora máster dos times masculino e feminino. O patrocínio prevê R$ 100 milhões por temporada, corrigidos pela inflação, além de bônus que podem elevar o valor anual a cerca de R$ 173 milhões. Para fins de comparação, o orçamento do clube para 2026 previa a arrecadação de R$ 259 milhões em publicidade e patrocínio.
“Se permanecer a proibição, vamos conversar para ver o que é possível fazer para finalizar o contrato de uma forma amigável, com muito profissionalismo, mas não vai existir nenhum patrocínio pontual nosso”, completou Leila.
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Outros clubes também contam com as bets como fonte de receita
Desde a regulamentação do setor, as bets ampliaram suas relações comerciais com o futebol brasileiro por meio de patrocínios e naming rights, contratos que associam o nome de uma marca a estádios ou competições. Em Salvador, a Arena Fonte Nova passou a se chamar Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em contrato de quatro anos. Em março de 2026, os Aflitos, do Náutico, passaram a adotar o nome Estádio Esportes da Sorte Aflitos. Já em Natal, a Casa de Apostas Arena das Dunas tem contrato de naming rights válido até 2029. Já o Feira Futebol Clube suspendeu o uso do nome Superbet Arena após a publicação da MP.
Os Naming Rights atingem ainda os principais campeonatos esportivos do país. O Campeonato Brasileiro passou a se chamar Brasileirão Betano e a Copa do Brasil virou Copa Betano do Brasil. A Copa do Brasil ainda tinha, além da Betano, Superbet, Betnacional e Betesporte entre seus patrocinadores.
A dimensão financeira vai além desses contratos. Só os patrocínios das casas de apostas aos clubes da Série A superaram R$ 1 bilhão em 2025. Levantamento citado pelo Sinafut calcula cerca de R$ 1,14 bilhão, enquanto outro levantamento publicado neste mês aponta R$ 1,03 bilhão.
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Calendário da proibição
O governo federal publicou a medida provisória do fim das bets antes do primeiro turno das eleições, com um cronograma que vai até antes do segundo. Os usuários tiveram até o dia 5 de outubro para retirar seus saldos das plataformas. Depois disso, os sites passaram a ficar indisponíveis.
Entre os dias 6 e 7 de outubro, as plataformas deveriam comunicar os saldos remanescentes às instituições fianceiras. Na sexta-feira (9), começou o prazo para a devolução dos valores, que vai até esta quarta-feira (14).
As bets passaram a ter aval jurídico no Brasil graças a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no final do seu mandato (12 de dezembro de 2018). A norma determinava que o governo federal deveria regulamentar o setor em até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O prazo expirou sem que houvesse uma regulamentação. Houve consultas, minutas e até inclusão das apostas no programa de desestatização, mas a norma final não saiu. Em julho de 2023, Lula editou uma medida provisória para tratar do assunto e enviou à Câmara um projeto de lei. O ato perdeu a validade em novembro de 2023. O Congresso, então, acelerou a tramitação do que se tornou o marco legal das apostas esportivas.
Autor: Gazeta do Povo








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