segunda-feira, outubro 12, 2026
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R$ 3 bilhões em pagamentos indevidos no seguro-defeso

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de até R$ 3 bilhões em pagamentos indevidos do seguro-defeso em 2024. Segundo auditoria obtida pela Folha de S.Paulo, a estimativa decorre da disparidade entre a base de dados do governo federal e o contingente real de pescadores artesanais apurado pelo IBGE.

Nos cruzamentos de bases de dados, os auditores encontraram 101,2 mil benefícios com sinais de irregularidade. O efeito financeiro potencial é de R$ 654 milhões — 11,2% dos R$ 5,8 bilhões liberados naquele ano, em valores correntes, para 1,1 milhão de beneficiários. O relatório, ao qual a Folha teve acesso, será relatado no tribunal pelo ministro Augusto Nardes.

O seguro-defeso é uma assistência financeira equivalente a um salário mínimo mensal — R$ 1.412 em 2024, R$ 1.621 em 2026. É paga ao pescador artesanal impedido de trabalhar na época de reprodução das espécies.

A legislação exige dedicação ininterrupta à pesca, registro ativo no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) há pelo menos um ano, recolhimento previdenciário e inexistência de outra renda. A fiscalização, porém, encontrou beneficiários com CPF irregular, vínculo empregatício formal, participação societária em empresas e acúmulo indevido de outras transferências sociais.