terça-feira, outubro 13, 2026
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Não entendo católico que vota em Lula

“Quando um católico não compartilha das posições do candidato favoráveis ao aborto e/ou eutanásia, mas vota no candidato por outros motivos, isso é considerado cooperação material remota, que pode ser permitida na presença de motivos proporcionais.” Foi isso que o então cardeal Joseph Ratzinger escreveu em 2004 aos bispos norte-americanos, tendo em mente a acirrada disputa eleitoral entre o republicano George W. Bush, que buscava a reeleição, e o católico pró-aborto John Kerry. Já tratei com calma desse documento do cardeal Ratzinger em 2022, inclusive com uma explicação sobre os tipos de cooperação com o mal. Agora, saltando para 2026: ainda que o voto em um candidato abortista possa ser aceito por “motivos proporcionais”, juro que continuo sem entender católico que vota no Lula.

Reparem: não disse que não entendo católico que não vota em Flávio Bolsonaro; não disse que não entendo católico que anula, vota em branco ou vai passar o dia 25 viajando; esses eu entendo, porque sei que a consciência obriga, e sei de gente muito boa, de critério, para quem o candidato do PL tem plataformas das quais essas pessoas discordam muito profundamente, e que o tornam indigno do voto dessas pessoas. Mas nem por isso essas pessoas irão votar no petista. E aí eu reforço: entendo católico que não vota em Flávio; o que eu não entendo é católico que vota em Lula. E aqui, sim, vou tratar da tal evidência anedótica, ou seja, o que vêm argumentando os meus amigos e conhecidos que são católicos e vão “fazer o L”.

As razões que católicos vêm apontando para votar em Lula não me parecem ser o tipo de “motivos proporcionais” que tornariam lícito o voto em um abortista

Mas, primeiro, vejamos o histórico de Lula 3 com o aborto. A única coisa que Lula, o PT e a esquerda não fizeram nesses quatro anos foi tentar mudar a lei. Todo o resto eles fizeram: tiraram o Brasil do Consenso de Genebra; revogaram portarias relativas a procedimentos que deveriam ser adotados em caso de gestação decorrente de estupro (inclusive as que ajudariam a identificar o estuprador); publicaram cartilha para gestantes com informações sobre aborto, mas não sobre o encaminhamento para adoção de uma criança indesejada; e não nos esqueçamos da barbárie envolvida na defesa da possibilidade de abortos tardios, quando o bebê já chegou ao estágio da viabilidade fetal, inclusive com o uso do método crudelíssimo da assistolia fetal.