Empresas brasileiras enfrentam o desafio de reestruturar equipes e horários diante da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1. O Senado Federal pautou a votação em primeiro turno para esta quarta-feira, 14 de outubro de 2026. A medida propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, o que pode impactar diretamente o preço final ao consumidor.
Quais são os principais desafios para o comércio e o varejo com a nova escala?
Para o comércio, especialmente lojas de rua e de shoppings, a maior dificuldade é manter o funcionamento nos dias de maior movimento, como os sábados. Empresários alertam que fechar as portas em um dia da semana é inviável financeiramente, mas manter a equipe completa com dois dias de folga obrigatórios exigirá novas contratações. Como muitas dessas empresas operam com margens apertadas e equipes ajustadas, a adaptação enrijece a operação. O resultado provável é uma redução no faturamento por falta de pessoal ou o repasse imediato dos novos custos trabalhistas para os preços.
Como a indústria pretende lidar com a variabilidade da produção?
A indústria de transformação sofre com oscilações causadas por safras, ciclos de pedidos e manutenção. Atualmente, o setor usa o banco de horas para ter flexibilidade. Com a redução para 40 horas semanais, essa janela de compensação diminui, limitando a capacidade das fábricas de aumentar o ritmo em períodos de alta demanda. No caso de indústrias extrativas, como petróleo e mineração, que não podem parar, o fim da escala 6×1 exigiria a criação de turnos adicionais. Isso implica gastos extras com recrutamento, treinamento, equipamentos de segurança e toda a logística de suporte.
De que forma o setor de saúde e hospitais serão impactados?
Hospitais operam serviços ininterruptos que não podem ser interrompidos, da UTI à higienização. A redução da jornada de 44 para 40 horas representa uma queda de cerca de 9% no tempo disponível de cada trabalhador. Para manter o atendimento 24 horas, os gestores precisarão reorganizar escalas complexas ou contratar mais profissionais. O alerta é crítico para o Sistema Único de Saúde (SUS), que trabalha com recursos limitados. Se o custo operacional subir sem um aumento correspondente na receita, haverá menos dinheiro para investir em novos equipamentos, tecnologias e remédios.
Qual é a previsão de impacto financeiro para o agronegócio e serviços?
No agronegócio, atividades como avicultura e suinocultura dependem de manejo biológico contínuo, com custos adicionais estimados em bilhões de reais anuais. O setor leiteiro e de grãos também enfrentam dificuldades pela sazonalidade de colheita e plantio. Já no setor de serviços, como limpeza e segurança privada, a estimativa é de um aumento de custos superior a 20%. Para postos de vigilância 24 horas, por exemplo, o número de funcionários necessários para cobrir uma única posição deve subir, o que fatalmente resultará em preços mais caros para o cliente final que contrata o serviço.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















