
A facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) pode estar atuando em pelo menos 16 países da Europa, segundo uma investigação publicada nesta terça-feira (13) pelo jornal britânico The Guardian. A informação consta de um relatório ainda não divulgado do Ministério Público de São Paulo, ao qual o jornal teve acesso. Entre os países onde a organização teria presença estão Reino Unido, Irlanda, Islândia, Sérvia, Suécia, Suíça e Turquia.
Segundo o Guardian, o documento foi elaborado parcialmente com informações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A reportagem não detalha o tamanho das operações do PCC em cada país, mas aponta que facções brasileiras e outras organizações criminosas latino-americanas estão ampliando suas atividades na Europa, principalmente por meio do tráfico de drogas.
A investigação do jornal britânico durou quatro meses e reuniu informações de autoridades policiais, agências de inteligência e entrevistas com juízes, promotores e especialistas de oito países. Além do PCC, a investigação também cita o Comando Vermelho (CV), do Brasil, os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, o Tren de Aragua, da Venezuela, e organizações criminosas colombianas. Segundo o jornal, esses grupos estabeleceram relações com máfias europeias para ampliar seus negócios no continente.
As atividades dessas organizações aparecem principalmente na Espanha, em Portugal, nos Países Baixos, na Bélgica e na França, mas também foram identificadas na Alemanha, Romênia, Croácia e Eslováquia. As autoridades europeias também encontraram laboratórios de produção de drogas ligados a organizações mexicanas em diferentes regiões do continente.
O avanço dessas facções acompanha o crescimento do tráfico de cocaína na Europa. Segundo dados da Agência da União Europeia sobre Drogas, a quantidade da droga apreendida nos países do bloco aumentou 471% entre 2014 e 2024. O continente se tornou um dos principais mercados para organizações criminosas latino-americanas, que são atraídas pelos valores mais altos pagos pela cocaína.
Autor: Gazeta do Povo








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