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Fifa paga R$ 20 mil por escritório sem uso na Trump Tower – 14/10/2026 – Esporte

Cerca de um ano antes da Copa do Mundo, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) realizou uma inauguração com grande alarde para seu mais novo escritório, um conjunto no 17º andar da Trump Tower, em Nova York. Eric Trump, filho do presidente Donald Trump, disse que a organização de sua família estava “honrada” em receber a entidade máxima do futebol mundial.

A Fifa assinou um contrato de locação de mais de sete anos, avaliado em cerca de US$ 4 milhões (R$ 20 milhões), segundo dois funcionários diretamente envolvidos na negociação e documentos analisados pelo The New York Times. O conjunto permanece vazio na maior parte do tempo.

Os termos do acordo, até então inéditos, geraram preocupação entre alguns altos dirigentes da Fifa quanto ao aluguel de um espaço em um edifício ligado a Trump, em um estado com impostos elevados e sem uma necessidade clara.

O acordo é mais um exemplo de como a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, buscaram estreitar os laços com o presidente americano antes da Copa do Mundo de 2026, apesar da resistência de dirigentes de alto escalão do futebol.

Infantino cobriu Trump de elogios e chegou a criar um prêmio especial da paz em sua homenagem. Durante a Copa do Mundo, a Fifa revogou a suspensão de Folarin Balogun, atacante de destaque da seleção dos Estados Unidos, após uma ligação entre o presidente e Infantino, o que provocou acusações de favorecimento e interferência política.

Desde o torneio, Infantino tem enfrentado intenso escrutínio por sua conduta, inclusive por ter participado de negociações secretas para vender uma parcela dos direitos de futuros torneios a um fundo privado administrado pelo irmão de Jared Kushner, genro de Trump. O plano levou a entidade que comanda o futebol europeu a ameaçar apresentar uma denúncia à Justiça criminal. Infantino acusou seus críticos de promoverem uma campanha de assédio.

As operações da Fifa nos Estados Unidos ficam concentradas principalmente em dois escritórios em Miami. A organização não planeja manter uma equipe completa na Trump Tower, e o escritório permanece praticamente sem uso, segundo atuais e ex-dirigentes da Fifa que, assim como outras fontes citadas nesta reportagem, pediram anonimato para falar sobre conversas privadas e acordos comerciais.

A Casa Branca não quis comentar. A Trump Organization não respondeu a um pedido de comentário.

Em resposta a perguntas sobre o contrato de aluguel, a Fifa defendeu o acordo, afirmando que paga pelo imóvel um valor compatível com o mercado. O contrato “cumpre todas as leis locais” e “foi assinado de acordo com os processos internos habituais da Fifa”, disse a entidade em comunicado.

A Fifa usa o espaço de quase 465 metros quadrados para eventos especiais e reuniões com autoridades e dirigentes do futebol, informou a organização. O local é utilizado principalmente durante a Assembleia Geral anual das Nações Unidas.

A decisão de abrir um escritório de representação na Trump Tower partiu de Infantino, segundo as duas autoridades envolvidas no acordo.

A Fifa contratou uma consultoria imobiliária internacional para avaliar se o acordo estava de acordo com os valores de mercado. Mas as duas autoridades disseram que não havia uma necessidade comercial clara para o escritório, especialmente porque a Fifa já possuía escritórios em Miami.

Autoridades alertaram que a abertura de outro escritório nos Estados Unidos, no estado de Nova York, poderia gerar uma obrigação tributária adicional para a Fifa, mostram os documentos. A organização trabalhou com advogados para estabelecer que nenhuma atividade empresarial ou comercial seria realizada no local, a fim de evitar esses impostos.

Em resposta por e-mail a perguntas sobre o contrato, a Fifa afirmou: “Nova York é uma cidade global, e a Fifa é uma organização global; portanto, é lógico que a Fifa tenha presença ali”.

Miguel Maduro, português que foi responsável pela área de governança da Fifa, disse que a escolha de um imóvel ligado ao presidente americano poderia violar as disposições da organização sobre conflitos de interesse.

“Esse acordo com a Trump Organization gera um claro conflito de interesse diante dos interesses da Fifa na Copa do Mundo nos Estados Unidos ou de sua parceria com o Conselho da Paz do presidente Trump”, afirmou Maduro. Como parte do plano, a Fifa anunciou em fevereiro uma proposta para construir campos e um estádio na Faixa de Gaza.

A relação de Infantino com Trump também motivou uma denúncia ao comitê de ética apresentada pela federação de futebol da Noruega.

Alex Phillips, ex-dirigente da Fifa e de outras importantes entidades que comandam o futebol, classificou o escritório na Trump Tower como “um nível de bajulação completamente desnecessário”.

Autor: Folha

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