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China vê vitória de Lula como revés para Trump na América Latina

A imprensa estatal da China interpretou a reeleição do presidente Lula (PT), no segundo turno realizado no Brasil no último domingo (25), como um revés para os planos do presidente americano Donald Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina. Em reportagens e análises publicadas nos últimos dias, veículos ligados ao regime comunista chinês destacaram que a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) dificultou os planos de Washington de fortalecer sua aliança na região, colocando a maior economia dela em sua zona de influência.

Em reportagem publicada nesta quarta-feira (28), o jornal estatal Global Times ouviu especialistas chineses e brasileiros sobre as consequências da eleição para a política externa americana. O veículo citou que a vitória de Lula ocorre em meio à disputa entre Estados Unidos e China pela influência política e econômica sobre os países latino-americanos.

Entrevistado pelo Global Times, Pan Deng, diretor do Centro de Direito da América Latina e do Caribe da Universidade Chinesa de Ciência Política e Direito, afirmou que Washington enxergava na possibilidade de uma vitória da direita brasileira uma oportunidade para ampliar a cooperação em comércio, cadeias produtivas e questões geopolíticas. Segundo ele, a permanência de Lula no Planalto torna esses planos mais difíceis, sobretudo pela importância econômica e política do Brasil para o continente.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um artigo na segunda-feira (26), onde o pesquisador Zhou Zhiwei, diretor-executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a vitória de Lula interrompeu, ao menos temporariamente, a sequência de avanços da direita na América Latina.