quinta-feira, outubro 29, 2026
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Busca por morar no Paraguai sobe 1.700% após eleição de Lula

A confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 provocou uma corrida de brasileiros interessados em morar no Paraguai. Em apenas 48 horas após a apuração, as buscas no Google pelo termo “como morar no Paraguai” dispararam 1.700%. O movimento reflete uma insatisfação política e a busca por melhores condições econômicas e segurança no país vizinho.

O que explica o aumento expressivo no interesse de brasileiros pelo Paraguai?

O fenômeno é impulsionado por uma combinação de fatores emocionais e práticos. Especialistas apontam que a alta carga tributária, a burocracia excessiva e a sensação de insegurança no Brasil funcionam como fatores de repulsão. Por outro lado, o Paraguai atrai pelo baixo custo de vida, que pode ser até 20% menor que em Curitiba, e por uma agenda política de centro-direita. Além disso, a facilidade de obter residência via Mercosul e a proximidade geográfica, especialmente para quem vive no Paraná, tornam a transição menos complexa para empresários e famílias com patrimônio elevado.

Como funciona o modelo tributário paraguaio que atrai tantos investidores?

O grande diferencial econômico do país vizinho é o sistema conhecido como “Triplo 10”. Ele estabelece uma alíquota máxima de apenas 10% para três impostos fundamentais: o Imposto sobre a Renda Empresarial (IRE), o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) e o Imposto de Renda Pessoal (IRP). Para se ter uma ideia, no Brasil esses valores costumam ser bem mais altos. Outro ponto relevante é o princípio da territorialidade, onde rendimentos obtidos fora do Paraguai geralmente não são tributados localmente, e a lei permite que estrangeiros sejam donos de 100% do capital de suas empresas.

Quais são os principais desafios e barreiras para quem decide migrar?

Apesar das vantagens econômicas, a mudança exige cautela. O Paraguai possui um mercado de trabalho com alta informalidade, atingindo cerca de 65% da população. Isso significa que ir para lá em busca de um emprego formal, sem capital próprio, é arriscado. O Estado é enxuto, o que resulta em serviços públicos de saúde e educação limitados; quem não pode pagar pela rede privada sente a diferença rapidamente. Há também o choque cultural e o idioma guarani, muito presente no dia a dia. Sem adaptação, muitos brasileiros acabam isolados em “bolhas” e retornam ao Brasil após algum tempo.