A Embraer conquistou mais um cliente entre os integrantes da Otan. A Grécia anunciou nesta segunda-feira (2) a compra de três aeronaves militares KC-390 Millennium, com possibilidade de incorporar outras três unidades. Com o negócio, o país se torna o oitavo integrante da aliança militar a escolher o cargueiro brasileiro, reforçando a presença da fabricante no mercado europeu de defesa.
O acordo prevê que as três aeronaves adicionais sejam adquiridas por Portugal, que já encomendou seis unidades e recebeu quatro, e posteriormente repassadas à Grécia. Esse modelo de negociação permitirá a Atenas antecipar a entrega dos aviões, com a previsão de receber o primeiro KC-390 já em 2027. Os valores do contrato direto entre os gregos e a Embraer não foram divulgados.
Pelo arranjo, Portugal também deverá obter uma vantagem financeira com a operação. A negociação envolvendo as três unidades adicionais representa um negócio estimado em R$ 3,6 bilhões, com ganho equivalente a aproximadamente R$ 180 milhões para os portugueses, segundo os valores apresentados na operação.
A escolha grega ocorre em um momento de expansão dos investimentos militares na Europa. A guerra na Ucrânia, iniciada após a invasão russa em 2022, a instabilidade no Oriente Médio e as incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a defesa dos aliados europeus, sob a presidência de Donald Trump, aceleraram os planos de rearmamento no continente.
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Oito países da Otan já escolheram o avião brasileiro
Com a adesão da Grécia, o KC-390 amplia sua presença entre os integrantes da Otan. A Embraer já vendeu seis unidades para Portugal, cinco para a Holanda, quatro para a Suécia, duas para a Hungria, duas para a República Tcheca, três para a Eslováquia e três para a Lituânia. A Áustria, que não integra a aliança militar, mas atua em coordenação com ela, também adquiriu quatro aeronaves.
No caso dos países bálticos, ainda há contratos que não foram finalizados. Fora da Europa, o cargueiro brasileiro também conquistou clientes na Coreia do Sul, no Uzbequistão, nos Emirados Árabes Unidos e na Colômbia.
A fabricante mantém como alvos mercados estratégicos de grande porte, como Estados Unidos e Índia. No mercado americano, a concorrência com versões modernizadas do C-130 Hércules representa um obstáculo. Na Índia, as negociações estão mais avançadas e existe a expectativa de uma encomenda de dezenas de aeronaves.
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KC-390 substitui modelos mais antigos na frota grega
A aquisição permitirá à Grécia renovar parte de sua capacidade de transporte militar. Atualmente, o país opera 15 aeronaves C-130 Hércules, modelo americano utilizado por forças aéreas de diversos países desde a década de 1950. A frota grega também conta com 13 cargueiros italianos C-27J, com capacidade de transporte de até 11,5 toneladas.
O KC-390 oferece capacidade para transportar até 26 toneladas, contra 19 toneladas do Hércules. Além de ser um projeto mais recente, utiliza dois motores a jato, enquanto o avião americano é equipado com quatro motores turboélice.
A Grécia adquiriu a versão KC, que incorpora capacidade de reabastecimento em voo, recurso que os Hércules atualmente operados pelo país não possuem. A configuração amplia as possibilidades de emprego da aeronave em missões militares e de transporte.
Reforço militar em meio à tensão com a Rússia e a Turquia
O negócio também precisa ser compreendido no contexto da escalada dos gastos com defesa na Europa. A percepção de ameaça russa, intensificada pela guerra na Ucrânia, levou os governos do continente a rever suas capacidades militares e acelerar programas de aquisição de equipamentos.
Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos acrescentou um componente de incerteza. O republicano tem pressionado os integrantes europeus da Otan a assumir uma parcela maior dos custos de defesa, questionando o nível de comprometimento americano com a segurança dos aliados.
Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, os países europeus programaram para este ano despesas militares nominais 90% superiores às registradas em 2021, antes da invasão russa da Ucrânia.
Para a Grécia, o cenário inclui ainda as tensões no Oriente Médio e no leste do Mediterrâneo, além da rivalidade histórica com a Turquia, que também integra a Otan. Atenas aprovou no ano passado um plano de investimentos militares equivalente a R$ 135 bilhões ao longo de 12 anos. A compra dos KC-390 está entre os primeiros movimentos desse programa de modernização.
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Projeto brasileiro se transforma em produto de exportação
O KC-390 foi desenvolvido a partir de uma demanda da Força Aérea Brasileira, formalizada em 2008. O primeiro avião foi entregue 11 anos depois. Apesar dos ajustes ao longo do programa, a encomenda original da FAB, de 28 unidades, foi reduzida para 19, o cargueiro ganhou espaço no mercado internacional.
Até o momento, oito aeronaves foram entregues à Força Aérea Brasileira. A expansão das vendas externas transformou o projeto em um dos principais produtos da divisão de defesa da Embraer. A combinação entre desempenho, capacidade de carga e possibilidade de reabastecimento em voo tem ajudado a posicionar o KC-390 como alternativa para países que buscam renovar suas frotas.
Autor: Gazeta do Povo








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