Após vencer o republicano Mike Rogers nas midterms desta terça-feira (3), Abdul El-Sayed se tornará em janeiro o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.
O democrata de 42 anos representará o Michigan, onde nasceu e cresceu na cidade de Rochester Hills (sudeste do estado).
El-Sayed estudou medicina, obteve doutorado em saúde pública e foi professor de epidemiologia, diretor do Departamento de Saúde de Detroit e do Departamento de Saúde, Serviços Humanos e Serviços para Veteranos do Condado de Wayne.
Filho de imigrantes egípcios, ele defende o fim da ajuda militar a Israel, que acusou de ser um “Estado pária” e cometer “genocídio” na Faixa de Gaza.
Este ano, derrotou a deputada federal Haley Stevens nas primárias democratas para o Senado para representar Michigan.
Embora não seja integrante do Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês), a ala mais à esquerda do Partido Democrata, El-Sayed participou de eventos organizados pelo grupo e foi apoiado por alguns dos seus membros.
No fim de semana anterior às midterms, Stevens declarou apoio ao adversário do democrata.
Durante a campanha, El-Sayed se envolveu em controvérsias com os republicanos. Ele foi acusado de ter endossado o grupo radical Irmandade Muçulmana em uma carta aberta em 2012 em defesa da democracia no Egito, embora a missiva não mencionasse a organização.
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Os republicanos também citaram mensagens nas redes sociais publicadas em 2012 e 2013 pela irmã do democrata, Eman Abdelhadi, nas quais esta mencionou o apoio da família à Irmandade Muçulmana e o ativismo da mãe de ambos dentro do grupo nos anos 1970.
El-Sayed negou qualquer vínculo com a Irmandade Muçulmana e disse que não foi criado pela mãe, e sim pelo pai, pela madrasta e pelos avós.
O presidente americano, Donald Trump, e o vice J.D. Vance também acusaram o democrata de radicalismo.
“[Abdul] Mohamed El-Sayed é um candidato terrível para os ‘Dumocratas’ [apelido pejorativo que Trump deu aos democratas, um trocadilho com ‘dumb’ – idiota em inglês]. Enquanto seu oponente, Mike Rogers, é excelente, Mohamed remete aos tempos da Jihad. Ele é um extremista radical, simpatizante do terrorismo e não é diferente do seu melhor amigo, Hasan Piker, que odeia a América”, escreveu Trump na rede Truth Social durante a campanha.
O influencer de esquerda Hasan Piker é apoiador de El-Sayed e disse que os Estados Unidos “mereceram” os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Diante da repercussão negativa, El-Sayed se distanciou dele.
Já Vance afirmou que “adoraria voltar no tempo e dizer ao meu avô que existe um homem que afirma defender a classe trabalhadora, mas que diz não apenas que deveríamos adotar a lei da Sharia [lei islâmica], como também que, se você a criticar, é um supremacista branco”. “Esse não é o Partido Democrata do meu avô”, disse o vice-presidente americano.
Foi uma referência a uma declaração de El-Sayed, de 2022, na qual o democrata disse que “não se pode entender uma proibição da Sharia [nos Estados Unidos, proposta por políticos republicanos] sem entender a Trilha das Lágrimas”, um episódio do século XIX em que dezenas de milhares de indígenas foram removidos à força das regiões onde moravam pelo governo americano.
Em um comício no final de agosto, Vance também disse que as propostas de El-Sayed representam “a raiz desse mal terrível que, acredito eu, está em ascensão nos Estados Unidos da América”.
Horas depois, El-Sayed respondeu em um comunicado. “O mal é tirar o acesso à saúde dos trabalhadores em troca de isenções fiscais para bilionários. O mal é fazer as pessoas pagarem mais por alimentos e combustível enquanto se promove guerras comerciais e guerras de fato. O mal é dividir as pessoas para obter vantagem própria. O mal é vender seus princípios morais por um pouco de poder”, afirmou o democrata.
Autor: Gazeta do Povo








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