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Candidato que usou cartas de ministros do STF em concurso anulado da USP recorre à Justiça

O professor Rafael Campos Soares da Fonseca, filho do ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca, acionou a Justiça para tentar obrigar a Universidade de São Paulo (USP) a nomeá-lo como professor Doutor em Direito Financeiro. No último dia 21 de outubro, a juíza Tamara Priscila Tocci, da 2ª Vara da Fazenda Pública do TJ-SP, rejeitou o pedido de tutela de urgência, mas a decisão não encerra a disputa judicial. 

A briga começou na Faculdade de Direito, em concurso realizado pelo Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário, em março de 2025. Em seu memorial de 152 páginas, Rafael Fonseca utilizou 24 páginas para incluir cartas de recomendação de autoridades do alto escalão do Judiciário brasileiro, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República (PGR). 

As cartas, assinadas pelos ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin, André Mendonça e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF); pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet; e pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ribeiro Dantas e Gurgel de Faria, entre outros, exaltavam o desempenho de Rafael enquanto assessor em gabinetes ministeriais.  

A apresentação desses documentos gerou suspeitas de tentativa de constrangimento velado da banca, já que o edital do concurso não previa esse tipo de documento e muitos dos professores da USP atuam como advogados de casos que chegam a tribunais superiores.