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Um pouco de bagunça pode fazer bem à sua casa – 07/11/2026 – Equilíbrio

Se seguirmos a filosofia da extraordinária especialista em organização Marie Kondo, uma casa arrumada é uma casa melhor.

Albert Einstein, no entanto, talvez contestasse essa ideia. “Se uma mesa bagunçada é sinal de uma mente bagunçada”, diz uma frase amplamente atribuída ao célebre físico, “do que, então, uma mesa vazia é sinal?”

Minha pesquisa recém-publicada, que analisou 22 lares na Nova Zelândia, também questiona a noção convencional de que a bagunça é um problema que precisa ser resolvido.

Longe de ser um sintoma de falta de organização, a bagunça pode ajudar as famílias a funcionar e fazer com que a vida transcorra com mais fluidez.

Quando a bagunça facilita a vida

Pense nos espaços de nossa casa que têm mais de uma finalidade e onde as coisas tendem a se acumular. Uma sala de estar que também serve como área de recreação ou um quarto que também funciona como escritório.

Um casal me contou que sua mesa de jantar se transforma em um “ponto de descarte” para objetos como bolsas e garrafas de água, antes de ser desocup ada todas as noites. Outra pessoa descreveu como deixar algo sobre a ilha da cozinha diminuía a probabilidade de que se esquecesse do item ao sair de casa.

Por mais desorganizados que esses espaços parecessem, eles atendiam a rotinas diárias que poderiam ser prejudicadas em nome de uma casa com aparência mais arrumada. Podemos pensar na desordem como um amontoado de coisas que simplesmente atrapalham. Mas, muitas vezes, um espaço bagunçado é apenas um espaço que está sendo útil para nós.

Para uma mãe, a bancada da cozinha servia como mesa de jantar e um espaço de trabalho para ela e a filha. Canetas, brinquedos e outros objetos podiam se acumular, mas, “desde que ainda haja espaço para comer, eu meio que deixo como está”.

A bagunça também pode revelar muito sobre as relações familiares. Um pai deixava o agasalho da filha pendurado no encosto de uma cadeira, em vez de guardá-lo. Antes, ela o deixava no chão, então ele acredita que isso foi um progresso.

Outra pessoa me contou que tolerava parte da bagunça do parceiro porque “ele também mora aqui”. Para ela, uma casa compartilhada não deveria ser organizada apenas de acordo com a ideia de arrumação de uma pessoa. Deixar algumas coisas como estavam era uma forma de reconhecer que o espaço pertencia aos dois.

Esses podem parecer exemplos simples, mas mostram que o ato de arrumar pode entrar em conflito com o incentivo que damos aos filhos ou com o respeito que demonstramos aos parceiros.

Quando abrimos espaço para o modo de vida de outras pessoas, colocar tudo em seu “devido” lugar às vezes não é a atitude mais atenciosa.

Como saber quando arrumar

Então, deveríamos simplesmente parar de arrumar e abraçar o caos? Não exatamente.

Pesquisas anteriores associaram a desordem doméstica ao estresse, ao constrangimento e a conflitos entre familiares. A bagunça pode dificultar a localização de objetos, impedir o uso de um espaço ou gerar mais trabalho para outra pessoa.

Nosso estudo não contesta esses problemas. Em vez disso, sugere que precisamos olhar além da aparência desorganizada de um espaço para entender se essa bagunça está, de fato, causando dificuldades.

Constatamos que os lares adotavam três abordagens principais para lidar com a desordem: guardar as coisas, tolerá-las ou simplesmente escondê-las da vista.

Uma mulher contou que empurrava as bolas de golfe e outros pertences do parceiro para baixo de um armário, onde ficavam menos visíveis. Outra mantinha os suplementos que tomava diariamente sobre a bancada da cozinha, em vez de guardá-los na despensa, porque isso poderia fazê-la se esquecer de tomá-los.

Essas decisões refletem algo que pesquisas anteriores tendiam a ignorar: manter uma casa arrumada envolve equilibrar diferentes necessidades, rotinas e expectativas. O que uma pessoa considera bagunça pode ser importante para o dia a dia de outra.

Nossas conclusões também sugerem que a arrumação raramente é um estado permanente. Os espaços ficam bagunçados à medida que são usados, são organizados quando necessário e, depois, voltam a ficar bagunçados. Tentar manter a ordem o tempo todo pode significar desfazer repetidamente arranjos que têm uma finalidade útil.

Isso não significa que toda bagunça deva ser tolerada. Mas uma casa que parece perfeitamente organizada não é necessariamente a que funciona melhor para quem mora nela. Talvez a melhor medida de uma casa bem organizada não seja o quanto ela parece arrumada, mas o quanto funciona bem para seus moradores.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

Autor: Folha

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