Depois de anos de atrasos, paralisações e promessas não cumpridas, a duplicação da BR-280 em Jaraguá do Sul (SC) vê algum avanço. Com 77% das obras concluídas no trecho mais crítico da rodovia (chamado lote 2.2), a região norte de Santa Catarina começa a vislumbrar o fim de um dos maiores gargalos logísticos do estado.
A rodovia é um dos principais corredores logísticos de Santa Catarina, interligando o Planalto Norte e o norte do estado, passando por municípios como Joinville, Guaramirim, Schroeder e Jaraguá do Sul, antes de alcançar o Porto de São Francisco do Sul, um dos principais terminais portuários do Sul do país.
A região cortada pela estrada concentra alguns dos polos industriais mais relevantes do estado: motores elétricos, móveis, têxteis, papel e agronegócio. Qualquer hora parada no trânsito da BR-280 tem custo econômico mensurável.
Com o novo traçado em operação, as pistas atuais da BR-280 serão convertidas para tráfego local, descongestionando o acesso urbano e com a perspectiva de melhora na mobilidade dentro dos próprios municípios cortados pela rodovia.
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Duplicação da BR-280 atravessou governos e cortes de orçamento
O projeto de duplicação dos 73,9 quilômetros entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul foi licitado e iniciado em 2014. Desde então, a obra atravessou dois governos federais, cortes orçamentários severos, escândalos de obras públicas e uma pandemia global. O resultado foi previsível: atrasos sucessivos e, em alguns trechos, abandono total das frentes de trabalho.
O caso mais grave é o lote 1, que cobre o trecho entre São Francisco do Sul e a interseção com a BR-101. Este trecho está praticamente paralisado desde 2022 e aguarda retomada após nova licitação, o que significa que o segmento de 36 quilômetros que conecta o porto ao interior do estado ainda não tem prazo firme para conclusão.
Este gargalo que ficará é justamente o que preocupa o setor produtivo. Enquanto o trecho portuário permanecer incompleto, o ganho logístico da duplicação será parcial, já que a cadeia produtiva das indústrias de Jaraguá do Sul, como a WEG e Whirlpool, depende do escoamento eficiente até São Francisco do Sul.
Já o lote 2.1, foi entregue pelo Dnit em abril do ano passado. Com 14 quilômetros de extensão, entre o km 36 (Araquari) e o km 50,74 (acesso de Guaramirim), a duplicação do trecho registrou avanços aos cerca de 22 mil motoristas que utilizam a rodovia diariamente.
Por fim, o lote 2.2, que vai do contorno de Guaramirim, passando por Schroeder até Jaraguá do Sul, é onde está concentrada a maior complexidade de engenharia e também o maior volume de investimentos. Com 23,84 quilômetros em novo traçado, este lote inclui 18 obras especiais, como pontes, viadutos e travessias elevadas.
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Túnel duplo perfura Morro do Vieira
A principal entrega do lote 2.2 é o túnel duplo que perfura o Morro do Vieira, em Jaraguá do Sul. Com cerca de um quilômetro de extensão em cada sentido, sendo 1.060 metros no lado esquerdo e 1.005 metros no direito, ligando os bairros João Pessoa e Três Rios, a proposta é eliminar o trecho de serra que força motoristas e caminhoneiros a reduzirem drasticamente a velocidade, aumentando o risco de acidentes e o tempo de deslocamento.
A escavação da rocha ocorreu em duas fases devido às características geológicas da região. O túnel receberá duas camadas de concreto: a primária, para sustentação imediata, e a secundária, mais espessa e reforçada com armação de aço, o que promete durabilidade estrutural por décadas.
O investimento total nesta estrutura foi de R$ 228 milhões, e segundo o Dnit, com a obra tendo atingido 83% do total, com entrega prevista para o segundo semestre deste ano. “O lote 2.2 da duplicação da BR-280 se destaca pela grandiosidade de um contorno de 24 quilômetros em novo traçado, reunindo intervenções de alta complexidade, como elevados e túneis”, explica o superintendente regional do Dnit em Santa Catarina, Amauri Sousa Lima.
Viadutos complementam a obra
Complementando o acesso ao túnel, dois grandes viadutos estão em construção nos quilômetros 64,9 e 65,4 da rodovia. O primeiro possui 85,36 metros de extensão e investimento de R$ 62,9 milhões; o segundo tem 220,30 metros e recebeu R$39,8 milhões.
Somados, os investimentos alcançaram mais de R$ 100 milhões em estruturas que estão na fase de lançamento de vigas — etapa crítica para a formação da base estrutural dos elevados. As equipes também trabalham no encabeçamento das estruturas e na instalação de barreiras de segurança do tipo new jersey, peças de concreto armado ou de plástico, com formato inclinado (base larga e topo estreito), consideradas essenciais para a segurança viária.
O financiamento da obra está inserido no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. O orçamento total da duplicação nos três lotes foi de aproximadamente R$ 1,7 bilhão. Somente o lote 2.2 teve custo estimado de R$ 985 milhões a R$ 994 milhões.
Em 2025, cerca de R$ 110 milhões foram aplicados apenas neste trecho, informa a gestão federal. A prefeitura de Jaraguá do Sul também contribui com obras complementares, como a construção de uma rotatória na BR-280 no bairro Tifa Monos, com investimento próprio de R$ 2,93 milhões.
Autor: Gazeta do Povo








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