O Banco de Brasília (BRB) confirmou que estuda um plano de corte de custos, incluindo o fechamento de agências e redução de áreas pouco rentáveis, para cobrir as perdas decorrentes de negócios com o Banco Master. A medida ocorre em meio à grave crise gerada pelos negócios realizados com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.
A crise ganhou força após a revelação de que Vorcaro vendeu ao BRB carteiras de crédito fraudulentas de mais de R$ 12 bilhões. O impacto total ainda é incerto, já que outros negócios podem ampliar o prejuízo, enquanto a auditoria responsável pelas contas segue sem prazo definido para conclusão.
“Vamos mensurar caso a caso, sem nenhum alarde. Onde tivermos negócios que sejam bons para o banco, vamos manter. […] Nossa prioridade é manter o bom atendimento e o conforto dos clientes”, afirmou o presidente do BRB, Nelson de Souza, em entrevista ao Correio Braziliense publicada nesta terça-feira (14).
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O BRB tem atuação em diversos estados brasileiros inclusive gerindo a folha de pagamentos dos servidores. Entre os negócios que devem ser mantidos estão gestões em Tocantins e nas cidades de João Pessoa e Maceió.
Por conta da crise decorrente dos negócios com o Master, Nelson de Souza reconheceu que o momento exige medidas duras para reorganizar a instituição e cumprir as regras contábeis exigidas pelo Banco Central.
“Precisamos fazer [cortes] para ser [um banco] cada vez mais saudável. Não adianta só fortalecer e capitalizar”, disse acrescentando que o foco também inclui melhorias em governança, operação, tecnologia e inovação.
Busca por novos investidores
Paralelamente, o Governo do Distrito Federal vem intensificando as articulações para garantir a capitalização do banco. A governadora Celina Leão (PP-DF) esteve em São Paulo pela segunda vez em busca de investidores e soluções financeiras para tentar conter os efeitos da crise.
Como resultado das negociações, o fundo Quadra Capital demonstrou interesse em adquirir cerca de R$ 15 bilhões em ativos relacionados ao Banco Master. A iniciativa é vista como uma alternativa para aliviar a exposição do BRB e reduzir riscos no balanço.
O governo distrital também busca viabilizar um aporte de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas enfrenta dificuldades na apresentação de garantias. Segundo Nelson de Souza, os ativos disponíveis ainda não despertaram interesse suficiente, exigindo ajustes na estrutura da proposta.
“Os terrenos da lei [aprovada pela Câmara Legislativa] servem. Mas nem todos despertaram o interesse. Precisamos melhorar a oferta de garantias, uma vez que não há tempo hábil de fazer o Fundo de Investimento Imobiliário”, afirmou.
O FGC já sinalizou que não pretende assumir sozinho o risco da operação e defende a participação de um consórcio de bancos. Após desembolsos bilionários recentes em outras operações envolvendo o Master – de até R$ 50 bilhões para cobrir investimentos – o fundo tem demonstrado cautela diante de novos compromissos de grande porte.
Autor: Gazeta do Povo




















