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Governo paga Wellhub para que servidores públicos tenham acesso gratuito a academias – 22/04/2026 – Economia

Servidores públicos têm acesso gratuito a academias e serviços do Wellhub, plataforma de bem-estar, devido a subsídio do governo federal para planos de até R$ 149,99 por mês. A medida custa R$ 2 milhões para a União e beneficia funcionários de 11 órgãos, segundo dados da execução do Orçamento federal, e o governo Lula (PT) estuda estender para mais setores da administração federal.

A opção de custear ou não parte do plano é do empregador. Em boa parte das empresas privadas, os trabalhadores precisam pagar para ter direito a qualquer um dos planos da plataforma, que custam a partir de R$ 39,90, e acessar academias, estúdios de dança e luta, centros de bem-estar, entre outros serviços.

Já no setor público, os servidores conseguem acesso gratuito até ao plano Silver, que custa R$ 149,99. A partir desse plano, o governo cobre parte do gasto, o que reduz o custo para o funcionário. No início de 2025, o plano Gold do Wellhub, um dos cinco mais caros da plataforma, custava R$ 289,90. Os servidores públicos pagavam R$ 150 para ter acesso.

Segundo estudo técnico em andamento no MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), o número pode crescer muito, pois há estimativa de que o benefício poderá ser expandido e adotado por servidores de mais 12 ministérios, incluindo Fazenda, Planejamento e Gestão, a um custo de R$ 3,4 milhões em dois anos.

Na proposta enviada pelo Wellhub ao MGI, a empresa afirma ser a única com contratos com a administração pública, oferecendo serviços para prefeituras, governos estaduais, assembleias legislativas e tribunais de Justiça. A Wellhub tem sido contratada pelos órgãos públicos sem licitação, sob a justificativa de exclusividade na prestação do serviço.

A equipe técnica do governo defende a adesão ao vale-academia e propõe requisitos mínimos para a empresa contratada. Segundo o estudo, a plataforma de bem-estar deverá oferecer pelo menos duas modalidades de exercício funcional, como Crossfit e HIIT, duas artes marciais, ao menos uma dança e uma atividade aquática.

O governo avalia ainda um contrato com a TotalPass, principal concorrente do Wellhub. No entanto, a plataforma deve ser preterida pela equipe técnica por repassar todo o custo dos planos para o funcionário público, enquanto o Wellhub permite que o governo pague parte da mensalidade.

“Embora atrativo em termos orçamentários imediatos, tal arranjo não atende ao objetivo da política pública, pois transfere o ônus ao servidor e fragiliza o incentivo à adesão. A solução mais adequada deve equilibrar o menor custo para o órgão e o menor custo para o servidor”, informa o estudo preliminar.

Em nota, o MGI afirma que não foi iniciada a licitação, não há empresa escolhida nem decisão sobre escopo ou valores. De acordo com a pasta, as estimativas mencionadas no documento têm caráter referencial, sem compromisso de gasto público. A pasta diz que qualquer contratação ocorrerá apenas após a conclusão dos estudos.

O Wellhub afirmou que a participação do setor público ainda é pequena dentro da base da plataforma. “Os servidores públicos representam cerca de 32% do emprego formal no país. Ainda assim, no Wellhub eles somam em torno de 4% dos assinantes e dos checkins no Brasil”, disse no comunicado.

“Os contratos do Wellhub com o setor público abrangem diferentes órgãos das esferas federal, estadual e municipal, independentemente de gestões específicas, além de empresas de capital misto”, acrescentou.

Outras instâncias da federação, incluindo prefeituras de cidades de médio porte, já aderiram ao programa para que seus servidores tenham acesso ao benefício.

Em Ilhéus (BA), cidade com 178 mil habitantes, a gestão municipal pagou R$ 402 mil para a plataforma, com vigência entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, segundo publicado no Diário Oficial da prefeitura.

Procurada, a prefeitura de Ilhéus não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.

Além de atividades físicas, o Wellhub dá acesso a aplicativos de saúde mental. Para os órgãos, as duas vertentes levam à melhoria da qualidade de vida para os servidores que utilizam o serviço e da eficiência do trabalho.

O IFRO (Instituto Federal de Rondônia) aponta que, desde a adoção do Wellhub, em março deste ano, “tem observado benefícios expressivos tanto para os servidores quanto para a gestão institucional”. A instituição de ensino subsidia um plano até R$ 190. Em 2022, o órgão gastou R$ 282 mil com a adesão.

A adoção do benefício “se traduziu em maior adesão a rotinas de atividade física, melhoria na disposição diária, mais qualidade de vida e maior engajamento nas ações institucionais de bem-estar”, apontou.

“Além desses aspectos, um resultado particularmente relevante tem sido a redução no número de servidores afastados por motivo de saúde, especialmente em casos relacionados a condições preveníveis com prática regular de exercícios e cuidados psicossociais”, acrescentou.

Outro que aderiu é o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Dos R$ 2 milhões gastos pela União em 2025, R$ 500 mil correspondem ao órgão. Nesse caso, eles não subsidiam nenhum plano para o servidor.

O órgão apontou que houve “uma redução de cerca de 51% nos afastamentos registrados no âmbito da sede do DNIT”.

“Nossa pesquisa anual de clima, aplicada no mês de outubro desde o ano de 2023, mostrou, já em 2024, ano em que o contrato entrou em vigor, uma expressiva melhora na qualidade de vida dos nossos profissionais”, apontou.

Autor: Folha

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