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Nicole Kidman quer ser doula da morte; entenda o trabalho – 29/04/2026 – Equilíbrio

Aos 58 anos, a atriz australiana Nicole Kidman tem um novo objetivo: tornar-se uma doula da morte, profissional que oferece apoio emocional, físico e psicológico para pessoas em estágio terminal.

Kidman disse que a ideia surgiu após a morte de sua mãe, Janelle Ann, aos 84 anos, em 2024.

“Quando minha mãe estava morrendo, ela se sentia sozinha, e havia um limite para o que a família podia oferecer”, disse a atriz neste mês durante uma palestra na Universidade de San Francisco.

A atriz contou ter sentido falta de alguém que “simplesmente oferecesse consolo e cuidado” à sua mãe.

“As pessoas dão muita ênfase ao nascimento, mas não tanto à morte. Como parte do meu crescimento, quero aprender esse papel. A solidão é um grande problema do mundo atual, principalmente para as pessoas nessa fase da vida. Quero estar presente. Quero poder oferecer apoio”, disse Kidman.

As doulas da morte não substituem profissionais de saúde, nem realizam procedimentos clínicos. A atuação se concentra no apoio emocional, em momentos de vulnerabilidade, e incluem escuta, acolhimento e auxílio em despedidas.

No Brasil, trata-se de um serviço, e não de uma profissão regulamentada, acessível a pessoas de diferentes formações que passam por capacitação específica sobre morte, luto e finitude.

Ken Breniman, que atua como doula da morte em Oakland, Califórnia (EUA), disse ao New York Times que muitas doulas da morte chegam ao ofício após vivenciar um luto, assim como Kidman. Breniman contou que perdeu a mãe quando ainda era adolescente.

O papel de uma doula da morte depende muito das necessidades dos clientes, diz Breniman. O trabalho pode ser mais burocrático, como ajudar em testamentos, velório, herança e coisas do tipo, mas muitas vezes está mais ligado a oferecer companhia.

As doulas também podem ajudar as pessoas a expressarem seus desejos quanto aos cuidados no fim da vida e a terem conversas importantes com suas famílias.

Breniman conta que recentemente ajudou uma senhora de 80 anos que queria economizar dinheiro a perceber como ela poderia usar a quantia para viver o resto da vida em casa, algo que ela dizia preferir, em vez de ir para um asilo.

Há também tarefas mais inusitadas para as doulas da morte. Anos atrás, um homem cego disse que seu último desejo era dar um passeio de bicicleta; Breniman então alugou uma e pedalou com seu cliente em um parque.

O fim da vida, diz Breniman, pode ser uma oportunidade para ajudar as pessoas a “aproveitarem a vida ao máximo“.

Cari Rogers, doula da morte em Chicago, diz que ajudar seus clientes a aceitar o medo da morte é gratificante.

“Ouvir alguém dizer: ‘Eu não imaginava que a morte pudesse ser tão bela’. Acho que essa foi a coisa mais tocante e significativa que já ouvi”, afirma.

Para Alua Arthur, da empresa Going With Grace, que já treinou mais de 3.000 doulas da morte em todo o mundo, os profissionais são “os melhores amigos da morte”.

Stephanie Firestone, doula da morte que atua em Denver, conta que recentemente ajudou a organizar uma cerimônia para uma senhora que não conseguia mais falar, na qual familiares compartilharam suas memórias com a idosa.

“Eu senti um amor tão grande entre ela e os quatro filhos. Quase o tempo todo ela ficou com um brilho nos olhos e um sorriso no rosto.”

Com informações do New York Times

Autor: Folha

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