Por Karla Spotorno São Paulo, 09/05/2026 – Se você estiver procurando pela nata do mercado financeiro na Faria Lima na semana que vem, talvez tenha de buscar em outro lugar. Mais precisamente, em Nova York. Na segunda-feira, começa a Brazil Week, para onde ruma uma legião de altos executivos, autoridades […]
Por Karla Spotorno
São Paulo, 09/05/2026 – Se você estiver procurando pela nata do mercado financeiro na Faria Lima na semana que vem, talvez tenha de buscar em outro lugar. Mais precisamente, em Nova York. Na segunda-feira, começa a Brazil Week, para onde ruma uma legião de altos executivos, autoridades brasileiras, empresários e gestores em busca do epicentro do “ver e ser visto”.
A semana brasileira na capital financeira do mundo é o que se pode chamar de uma “Davos” particular. A concentração de C-levels, investidores internacionais e tomadores de decisão por metro quadrado é tão relevante quanto a do Fórum Econômico Mundial na Suíça. “A diferença é que Davos é sobre todos os países. A Brazil Week é a nossa ‘Davos’. É só sobre o Brasil”, resume um banqueiro veterano, que aproveita esse networking privilegiado há pelo menos uma década.
Mas a Brazil Week não nasceu ontem. Para entender o burburinho, é preciso voltar no tempo. Imagine o cenário: início dos anos 70, e o Brasil vivia o chamado “Milagre Econômico” em meio à ditadura militar. O mundo estava prestes a mergulhar em uma grave crise do petróleo, e a guerra que dominava as manchetes nos EUA não era no Oriente Médio, mas sim contra o Vietnã. Naquela época, o governo iraniano, hoje um adversário, era um aliado estratégico da Casa Branca.
Foi nesse cenário de Guerra Fria que a Brazilian-American Chamber of Commerce (BrazilCham) criou o Person of the Year (POY), um prêmio para celebrar personalidades que fortalecem os laços entre os dois países. Era também um evento para marcar território. Em 1972, os primeiros homenageados foram Delfim Netto, então ministro da Fazenda do governo Médici, e o banqueiro americano George Moore.
Desde então, o POY é o coração da semana, celebrado com um jantar de gala – neste ano, para mil convidados no Museu de História Natural. “A semana é ancorada pelo prêmio. Ele é quase como uma justificativa para que o Brasil e todos os stakeholders viajem para Nova York”, explica o mesmo banqueiro. Ao longo das décadas, outros eventos começaram a orbitar em torno da grande festa, atraindo cada vez mais celebridades, ou quase isso, do mundo dos negócios.
Até o momento que você lê este texto, já são 19 grandes eventos mapeados para a próxima semana. Entre painéis sobre investimentos, tecnologia e geopolítica, os brasileiros vai cruzar com nomes de peso do mercado global, como Larry Fink, presidente da BlackRock; do governo brasileiro, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário do Tesouro, Rogério Ceron; e até da política americana, como o ex-secretário de Estado republicano Mike Pompeo.
E por falar em geopolítica, a presença de Pompeo adiciona uma pitada de thriller de espionagem à programação. Arquiteto de sanções contra o Irã antes e durante o primeiro governo Trump, sua participação exige segurança de filme de ação. Correm boatos de que, por suas ações como diretor da CIA, sua cabeça estaria a prêmio.
Mas nem só de ternos, gravatas e planilhas vive a Brazil Week. Lembra de Lucas Pinheiro Braathen, o esquiador que fez história para o Brasil na última Olimpíada de Inverno? Ele vai falar para uma plateia de 500 investidores e 140 CEOs. E em ano de Copa do Mundo, não faltaria futebol: Luiz Felipe Scolari, o Felipão do penta, também marca presença. Para os fãs, haverá até um evento exclusivo sobre esportes, o primeiro Sports Summit, promovido pelo Itaú BBA e um dos quatro summits organizados ao longo desta semana pelo maior banco da América Latina.
Contudo, não se engane. Apesar do esforço (e do investimento milionário) para reunir estrelas no palco, o verdadeiro show acontece nos bastidores. São nas reuniões “one-to-one” que a semana se torna realmente proveitosa. Para muitos, mais importante do que assistir a painéis é aproveitar a rara oportunidade de encontrar tantos tomadores de decisão para um café, uma troca de cartões ou um simples aperto de mão.
A semana de eventos vira, nas palavras de outro veterano, um “imenso offsite” que reúne empresas concorrentes e parceiras. Invariavelmente, essas reuniões ou drinks em algum skyline de Manhattan geram conversas que, de volta ao Brasil, se transformam em negócios lucrativos.
“A semana cria um ambiente único onde os tomadores de decisão não apenas podem trocar ideias, mas também encontrar colegas e potenciais parceiros em um ambiente concentrado e cuidadosamente selecionado”, afirmou a direção da Brazilian-American Chamber of Commerce (BrazilCham) à Broadcast.
No fim das contas, depois de ocupar Wall Street (e várias outras avenidas de Manhattan), o que o capital brasileiro quer mesmo é voltar para casa com um networking mais potente e a mala cheia de bons negócios.








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