
Três horas da manhã. Abandono o leito matrimonial e vou para a sala. A Catota se aninha no meu colo. O sono, sempre abundante, parece ter se esvaído. Na esperança de sentir novamente as pálpebras pesadas, penso num monte de coisas aleatórias. Até que meus pensamentos pousam em Rogéria Bolsonaro, ex-mulher do ex-presidente, mãe do Flá, do Cá e do Dudu. E o nome que o PL estuda lançar ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Perder o sono por causa de Rogéria Bolsonaro. Que conceito! Mas aconteceu e agora o negócio é tentar transformar a insônia em algo produtivo. De mim para mim, rio ao imaginar este texto sendo escrito, publicado e lido por uma plateia muitas vezes reativa a qualquer discordância. Mas claro. Claro que não serei burro a ponto de escrever que é oportunismo, que é personalismo, que é uma irresponsabilidade danada. E é. Ainda mais levando em conta que esta eleição ao Senado promete ser a mais importante da história, por tudo aquilo que você sabe que está em jogo.
Água no chope
Nah. Deixa quieto. Não vou escrever. Para quê? Só para me estressar? Já notei que a simples menção ao sobrenome “Bolsonaro” basta para desencadear uma explosão de sentimentos em alguns leitores. Sobretudo a raiva. A mentalidade tribal tem dessas. Nubla a razão. Cala o diálogo. Isso quando não reduz discordâncias ideológicas a doenças mentais, como andei vendo por aí. Mas não. Não sou nem louco de entrar nessa seara. De aguar o chope de quem se acha melhor por defender certas ideias e nomes. Mais nomes do que ideias. (A Catota começou a ronronar).
Até porque seria loucura de minha parte, a esta altura do campeonato, querer que aquele leitor (não você!) apressado e reativo, que já chega eriçado ao parágrafo final, todo na defensiva contra esses jornalistas canalhas e cúmplices do sistema, parasse um instante para pensar no que significa eleger senador alguém sem outro predicado que não o sobrenome. Aliás, na dinâmica da economia da atenção (distração?), seria loucura de minha parte querer que alguém parasse para pensar. Mas é isso. Agora vou tentar voltar a dormir, embalado pelo ronco da amada.
ATENÇÃO!!
Uma fonte me garantiu que não existe qualquer plano de lançar Rogéria Bolsonaro candidata ao Senado pelo RJ. Que o nome da ex-mulher de Jair Bolsonaro só foi incluído numa pesquisa para testar justamente a força política do sobrenome. Tomara. Viu? Perdi o sono (ainda que de mentirinha) à toa.
Autor: Gazeta do Povo








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