Carlo Ancelotti fará o anúncio da convocação da seleção brasileira na próxima segunda-feira (18) com toda a nação observando atentamente e uma pergunta crucial pairando no ar do Rio de Janeiro: Neymar estará entre os 26 nomes escolhidos?
O atacante de 34 anos é o maior artilheiro da história do Brasil, mas sua vaga na Copa do Mundo de 2026, que começa no próximo mês, está em jogo após anos de problemas com lesões e um retorno abaixo do esperado ao Santos.
Isso deixa Ancelotti pesando o romantismo contra as frias e práticas exigências de condição física, enquanto define seu plano de treinamento intenso para a seleção pentacampeã mundial.
“Quando você tem que escolher, precisa considerar muitas coisas”, disse Ancelotti à Reuters em entrevista exclusiva nesta terça-feira (12).
“Neymar é um jogador importante para este país por causa do talento que sempre demonstrou. Mas ele teve problemas e está trabalhando duro para se recuperar. Ele melhorou muito recentemente e está jogando com regularidade. Obviamente, não é uma decisão fácil para mim. Temos que pesar os prós e os contras com cuidado.”
Ancelotti recebeu a Reuters na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, com vista para a Barra da Tijuca, e falou sobre a delicada decisão de convocação com a calma que define uma das carreiras de treinador mais vitoriosas do futebol.
O italiano é o único treinador a ter conquistado títulos nacionais em todas as cinco principais ligas europeias e detém o recorde de cinco títulos da Champions League como técnico, além de dois como jogador.
“Muito querido”
No entanto, poucas decisões de convocação serão tão dissecadas quanto esta. Companheiros de equipe fizeram campanha pública pela inclusão de Neymar, enquanto os torcedores permanecem divididos entre o carinho e a ansiedade sobre se seu corpo ainda consegue acompanhar sua criatividade.
“Sei muito bem que Neymar é muito querido, não apenas pelo público, mas também pelos jogadores”, disse Ancelotti.
“Isso também é um fator, porque temos que considerar a atmosfera que vai cercar a convocação de Neymar. Não é como se eu fosse jogar uma bomba no vestiário. Ele é muito querido, muito amado”, afirmou o treinador italiano.
“Acho normal os jogadores expressarem sua opinião. Sou grato a todos que me deram conselhos; agradeço a todos. Mas, no final das contas, a pessoa certa para tomar essa decisão, a mais bem posicionada para fazê-lo, sou eu”, acrescentou.
Questionado se os apelos dos jogadores o influenciaram, Ancelotti disse que importavam apenas em um aspecto: sublinhavam que Neymar não causaria problemas ao grupo.
Para Ancelotti, o vestiário não é a preocupação. O circo fora dele pode ser.
“A atmosfera interna, não acho que vai afetar a equipe de forma alguma. A atmosfera é muito positiva, muito limpa, e não importa qual jogador esteja no elenco, ela permanecerá positiva e limpa até o fim”, disse Ancelotti.
“Mas não posso controlar a atmosfera externa e o que a mídia diz.”
“Condição física melhorou”
A questão mais importante pode ser se Neymar ainda se encaixa no futebol proposto. Ancelotti quer quatro atacantes que possam correr, pressionar e voltar para marcar, um modelo exigente para um jogador que tem lutado para emplacar uma sequência consistente de partidas.
O italiano, no entanto, disse que Neymar mostrou sinais de progresso.
“Ele melhorou muito sua condição física nas últimas partidas”, disse Ancelotti.
“Ele fez algumas partidas muito boas ultimamente. Sua condição física melhorou. Ele consegue manter uma alta intensidade em uma partida. Mas há partidas e partidas…”
Ancelotti afirmou que a decisão de convocar ou não Neymar será exclusivamente dele.
“Não sofri pressão de ninguém para convocar o Neymar. Tenho total autonomia”, disse ele. “A decisão será 100% profissional. Levarei em consideração apenas o seu desempenho como jogador de futebol. Nada mais”, disse o italiano.
“Posso montar um elenco perfeito? Impossível! Mas posso montar um elenco com menos erros do que outros que poderiam fazê-lo. Disso tenho certeza.”
Autor: Folha








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